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Alunos da PED projetam um rico Brasil Cultural

Mostra revelou atrativos das cinco regiões e do continente

14 de outubro 2024 - 12h10 Por Clóvis de Oliveira, para o Douranews
Alunos da PED projetam um rico Brasil Cultural mostra

Uma Mostra Cultural, a princípio para destacar as cinco regiões de um continente chamado Brasil, acabou se revelando intercontinental, ao mostrar, também, as potencialidades de países vizinhos e os reflexos que impactam diretamente na cultura nacional, especialmente quando envolve personagens que, por algum motivo, desperdiçaram as oportunidades adquiridas, por dádiva divina, para buscarem a estrada larga da vida.

Só essa demonstração, de humildade, sabedoria nativa, obediência e vontade de superar as ‘coisas ruins’ que entraram no meio do caminho de cada um, para motivar um experimentado agente da lei a ‘tirar o chapéu’, literalmente, para mais de uma centena de apenados. 

Foi o que se viu após a demonstração dada de que, reflexo do tratamento recebido no interior da PED [a Penitenciária Estadual de Dourados], cada um pode “multiplicar o que estão aprendendo aqui para levar algo diferente para a sociedade”, como saudou o diretor geral da unidade, o policial penal Rangel Schveiger, depois das apresentações de quinta-feira (10) passada, onde até o 'presidente' do Brasil, interpretado pelo paraguaio 'Marcos' (*) esteve presente.

“Eu tiro o chapéu, física e emocionalmente, para vocês e para a escola, por esse fato inédito. Em 20 anos na instituição, eu nunca tinha visto um cenário como esse. Alunos, pais de famílias, futuros profissionais, que em breve estarão na sociedade fazendo algo diferente”, disse o diretor Rangel, estendendo os cumprimentos à equipe do Ceeja (o Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos), organizadora da Mostra, por meio da diretora Daniela Staut.

Uma viagem que começou pelo Terminal Rodoviário de Salvador, a capital baiana que já foi capital do Brasil, mostra a vontade de todos em poder realizar, na prática, a excursão pelas cinco regiões do País. O desejo de conhecer [e, num universo de quase 2,8 mil habitantes do lugar, já teve quem conheceu] o Nordeste, o Norte, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste brasileiro ultrapassaram os muros da PED e invadiram o imaginário popular.

Teve chapéu de couro, tango argentino, a polca e o chamamé paraguaios, o salame, rapadura, cuscuz, a chipa, tereré, o Cristo Redentor e até o ET de Varginha, sem esquecer do frevo pernambucano, da lenda do Negrinho do Pastoreio e da estória da criação do mundo na visão dos povos originários, quando grupo indígena mostrou como surgiram o Sol e a Lua na visão do ‘nhandejara’ a quem reverenciam.

Encantamento

“Nunca tinha visto isso, vou levar pra sempre”, rendeu-se 'Daivid', de Rio Brilhante, entre as idas e vindas da PED. “Aqui eu aprendi tudo o que sou hoje, a ler, escrever e a descobrir que se você quer ser alguém na vida aqui temos professoras maravilhosas a nos ajudar”, reforçou 'Carlos'.

'Adilson', o descendente terena da aldeia Jaguapiru, não se continha diante da ‘obra’ que conseguiu produzir em quatro dias de intensa dedicação: o painel de macramê, feito com barbante cru, refletindo as raízes árabes hoje disseminadas pelo Nordeste e Sudeste brasileiros e que compõem luxuosos ambientes de decoração mundo afora.

Concluinte do Ensino Médio, ‘João’ se dedica, na escola que o Ceeja mantém no interior da PED, a aprender mais sobre Linguagens para buscar uma formação e voltar ao Paraná onde espera ajudar a família no comércio de roupas. Ele ajudou a ‘construir’ o Cristo do Rio de Janeiro para a Mostra. 

'Victor' quer voltar pra Naviraí e ainda continuar estudando para chegar na faculdade. Natural de São Paulo, há 7 anos esperando chegar o fim do ciclo, ' Vanderlei' também celebrava a oportunidade de “continuar aprendendo muita coisa” com essas atividades do Ceeja na penitenciária. 

'Tedimar', de Ivinhema, em nome da turma de alunos da Escola do Ceeja na PED, agradeceu pelos esforços de cada um em promover evento dessa importância. “A gente só espera melhorar cada vez mais”, resumiu, ao cumprimentar o diretor Rangel, a diretora Daniela e todos que organizaram a Mostra “por essa demonstração de aprendizagem e conhecimento”. 

(*) Todos os nomes utilizados entre 'apóstrofes' foram trocados