Embrapa fortalece troca de experiências com lideranças — Divulgação
A partir de 2025, a Embrapa, por meio da unidade de Dourados, vai coordenar ações para o levantamento participativo de dados de produção, ambiental e social, nas comunidades indígenas Jaguapiru e Bororó, localizadas no município. Ambas fazem parte da Reserva Indígena de Dourados (RID), sexto maior território do Brasil, com mais de 15 mil pessoas das etnias Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva e Terena, em uma área de cerca de 3,5 mil hectares.
Os Terenas e os Ñandeva ocupam basicamente a aldeia Jaguapiru, que possui um melhor desenvolvimento socioeconômico, enquanto os Kaiowá habitam predominantemente a aldeia Bororó que apresenta condições de extrema pobreza e escassez.
O produto final será o Diagnóstico Participativo (DP) Etno socioambiental e produtivo que reunirá informações fidedignas e atualizadas para fornecer subsídios à formatação de políticas públicas e ações de mitigação, convivência e eliminação das causas. “Esperamos com o DP reunir as informações que venham a subsidiar a elaboração de soluções integradas para a insegurança alimentar e a adequação de tecnologias locais para alavancar sistemas alimentares sustentáveis, resguardando a agrobiodiversidade de Mato Grosso do Sul e a cultura dos povos indígenas”, diz Ana Margarida Castro Euler, diretora-executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa (a DINT) na Embrapa.
O trabalho é fruto do convênio para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) firmado em 9 de dezembro, em cerimônia realizada em Campo Grande, entre o Estado, por meio da SEC (a Secretaria da Cidadania) e a Embrapa.
“Desde o início do ano a Embrapa vem articulando um arranjo institucional de forma colaborativa entre Unidades Centrais, Diretoria de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia e Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Unidades Descentralizadas [Embrapa Agropecuária Oeste e outras 17 Unidades], o Comitê de Governança de Iniciativas da Embrapa com Povos Indígenas [Resolução DINT nº 4 de 15 de março de 2024], junto ao Governo de Mato Grosso do Sul com os Ministérios dos Povos Indígenas e o do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), entre outros parceiros locais e nacionais que apoiam o desenvolvimento de uma solução integrada para a insegurança alimentar nos territórios de Jaguapiru e Bororó, em Dourados”, explica Euler.
A proposta do projeto em Mato Grosso do Sul prevê o enfoque participativo, baseado na troca de saberes e no intercâmbio de conhecimentos valorizando os modos de vida, a cultura e os saberes tradicionais dos povos indígenas, coletivamente pactuados.
“Os povos indígenas do passado dependiam em maior ou menor grau da pesca, agricultura, caça e coleta para sua subsistência. A mudança nos modos de vida desses povos alterou os sistemas de subsistência, o que resultou em escassez de alimentos e má alimentação, comprometendo a segurança alimentar. São escassos os estudos a respeito da insegurança alimentar em populações indígenas no Brasil e a falta desse conhecimento prejudica a elaboração de ações de melhorias de qualidade de vida e alimentação, entre outros fatores”, completa a diretora.
O pesquisador Auro Akio Otsubo, chefe-adjunto da área de TT (Transferência de Tecnologia) da Embrapa Agropecuária Oeste, ressalta que vários trabalhos são realizados pela iniciativa pública e privadas dentro das aldeias, “porém, não há integração institucional ou de temáticas, havendo, em muitos casos, sobreposições, e, o pior, sem resultados consistentes”.
Segundo Otsubo, o intuito com este projeto é que as ações sejam integradas e que, principalmente, a comunidade seja o agente da sua mudança e superação dos seus desafios, com o objetivo de promover segurança alimentar e nutricional, a exemplo do que ocorre com a implantação do Sisteminha Comunidade.
O chefe-adjunto de TT também conta que estão concebendo trabalhos além do território de Dourados. “O convênio está tendo consequências positivas. Nós já temos projeções para outros territórios, por exemplo, para os Povos Terenas do Pantnal, no caso, os Kadiwéus e os Kinikinaus, que ficam na região da Bacia do Rio Paraguai, e para os territórios indígenas do Cone Sul. Tudo em consonância com o Governo do Eestado de MS por meio da Secretaria de Cidadania, Ministério dos Povos Indígenas e Funai”.
Segundo o pesquisador Harley Nonato de Oliveira, chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste, “serão mais de 20 centros de pesquisa e 25 pesquisadores envolvidos, de diferentes áreas de formação e com experiências diversas, a fim de garantir a qualidade e aplicabilidade do diagnóstico a ser realizado”.
Também serão realizadas capacitações para a equipe da Embrapa conhecer a fundo ações exitosas dentro das comunidades indígenas e tradicionais em Mato Grosso do Sul e em outros estados brasileiros. “Esta ação é importante, porque a equipe estará capacitada metodologicamente a realizar ações em prol não somente de população indígenas como para outros públicos. Para a Embrapa, será um ganho extraordinário”, diz Otsubo.
A diretora Ana Euler destaca a importância da parceria entre as diversas instituições e lideranças indígenas. Para ela, a iniciativa vai desenvolver soluções para a insegurança alimentar dos povos Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva e Terena, desafio que está na pauta da Diretoria para o combate à fome e para a promoção de sistemas alimentares inclusivos e sustentáveis. “Queremos contribuir com o conhecimento científico, soluções integradas para inclusão socioprodutiva, valorizando os saberes tradicionais e aperfeiçoando nossas ações de inovação social em territórios indígenas, atendendo parceiros estratégicos e implementando políticas públicas”, reforça a diretora.