Delegado Erasmo Cubas esclarece conflito interno na aldeia — Reprodução/Instagram
A Associação Boa União, formada por pequenos produtores e agricultores que habitam a região onde costumam ocorrer atritos com indígenas que disputam a área, manifestaram, em nota de repúdio, a maneira como os pequenos produtores rurais foram mencionados depois do incêndio ocorrido na madrugada desta segunda-feira (31 de março) na área de retomada da Aldeia Bororo, em Dourados.
“A informação divulgada gera um grande desconforto porque coloca os moradores em uma situação de conflito que não corresponde à realidade. Isso acaba incentivando ainda mais a desinformação e o medo, distanciando as pessoas ao invés de buscar um entendimento justo dos fatos”, diz a nota da Associação.
Ainda na tarde do mesmo dia, o delegado Erasmo Cubas, que investiga o caso por parte da Polícia Civil, descartou prontamente a ligação do fato a conflitos pela disputa de terra. “A motivação é o excesso de consumo de álcool e uma briga das que costumam ocorrer, resultado de uma rixa entre mulheres”, disse o delegado em Coletiva de Imprensa.
Erasmo Cubas disse ainda que o elevado índice de embriaguez de uma mulher de 29 anos reforça o histórico de constantes atritos por conta do uso de bebida alcoólica nas aldeia. "Chegamos a aventar a possibilidade de um evento criminoso", fato descartado quando a mulher se contradisse e confirmou o conflito interno característico na área indígena, relatou o delegado.
Mariana Benites Paulo, a criança de um ano e um mês, foi identificada com marcas de ter sido asfixiada até morrer. A mãe dela, Janaína Benites Amarilha, de 36 anos, foi queimada viva e teria morrido dormindo embriagada e a avó, Nísia Isnarde, de 68 anos, também foi identificada entre os corpos carbonizados, conforme apurou a Perícia Técnica da Polícia Civil.
O Ministério dos Direitos Humanos chegou a divulgar nota relacionando o episódio da madrugada a conflito agrário. “Atribuir a execução de pessoas por disputa de terras causa comoção e revolta que podem gerar situações no mínimo irresponsáveis, não sabem a gravidade que uma notícia dessa possa causar”, repreendeu o delegado. Cubas espera que os órgãos ligados à questão indigenista e do Governo Federal se retratem sobre o que mencionaram quanto ao episódio.
Na nota, a Associação cobrou o compromisso com a verdade em relação ao episódio ocorrido na aldeia Avaeti, que fica nos fundos da Bororó, na Reserva de Dourados e contestou declarações divulgadas em documento oficial da Aty Guassu, a Grande Assembleia Indígena, que preferiu classificar o resultado da disputa interna entre famílias indígenas, movida ao consumo exagerado de álcool, a ‘genocídio contra o povo guarani kaiowá’.
Confira a nota da Associação Boa União:
NOTA DE REPÚDIO
A Associação Boa União vem a público expressar seu repúdio à maneira como os pequenos produtores rurais foram mencionados em uma recente matéria sobre o ocorrido na madrugada do dia 31 de março na área de retomada da Aldeia Bororo, em Dourados (MS).
A informação divulgada gera um grande desconforto porque coloca os moradores em uma situação de conflito que não corresponde à realidade. Isso acaba incentivando ainda mais a desinformação e o medo, distanciando as pessoas ao invés de buscar um entendimento justo dos fatos.
As autoridades já estão esclarecendo o caso, e confiamos que a verdade prevalecerá. Nosso compromisso é com a verdade e com a segurança de todos. Pedimos que a imprensa atue com responsabilidade, evitando divulgar informações que possam prejudicar quem não tem envolvimento com a situação.
Dourados, 01 de Abril de 2025.
Associação Boa União