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Economia

Produção de etanol só atenderá 45% dos carros flex em 2011

31 de março 2011 - 22h03 Por Redação Douranews, com G1
Produção de etanol só atenderá 45% dos carros flex em 2011

A capacidade de produção de etanol em 2011 só tem condições de garantir o abastecimento de 45% da frota de veículos flex. A projeção é da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Única), que divulgou nessa quinta-feira previsão de crescimento de apenas 0,52% na produção de etanol na safra 2011/2012.

“No ano passado atendemos 50% da frota flex. A projeção desse ano é de 45% e se nada for feito estamos falando em 37% em 2020", afirmou o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. Segundo ele, a produção nacional já chegou a atender 90% da frota flex no começo da década.

Mantido o ritmo de crescimento atual da produção e da demanda, a Unica prevê um déficit de 200 milhões de toneladas de cana de açúcar na safra 2015/2016, o que permitirá atender apenas 44% da frota de carros flex.

Segundo a entidade, apesar de a quantidade de moagem de cana-de-açúcar ter dobrado no período de 2002 a 2008, o incremento na produção de etanol nos últimos anos ficou abaixo da demanda gerada pelo aumento do número de veículos flex.

Do total de automóveis licenciados em 2010, 86% foram com motores flex. De 2003, ano do lançamento dos modelos bicombustíveis, a 2010, as vendas acumuladas de veículos desse tipo atingiram a marca de 12,5 milhões de unidades.

Pelas projeções da Única, a maior parte dos motoristas serão obrigados a migrar para a gasolina e não só por causa da baixa oferta no período de entressafra da cana.

“Trata-se de uma crise estrutural”, disse o presidente da entidade, Marcos Jank.

Depois de crescer a uma taxa média de 10% entre 2000 e 2008, o avanço da produção de cana-de-açúcar recuou para uma patamar de 3% nas duas últimas safras. Para a nova safra, a previsão é de uma produção de 568,50 milhões de toneladas de cana na região centro-sul, um crescimento de 2,11% em relação ao total processado na safra anterior. Para 2012/2013, a previsão é de 600 milhões de toneladas.

Para 2020, casos não sejam feitos novos investimentos em plantações e usinas, a Unica prevê uma produção total de 974 milhões de toneladas de cana – 400 milhões a menos do que a produção necessária para atender a demanda por etanol e derivados no mercado interno, considerando o abastecimento de 66% da frota flex.

Para que o país possa ter um novo ciclo de crescimento da produção, a Unica defende investimentos em novas unidades produtoras, além de incentivos e políticas que dêem maior competitividade ao etanol em relação à gasolina como menor tributação, investimentos em infraestrutura e em tecnologia que elevem a eficiência dos motores flex.