O IPCA subiu 0,77 por cento em abril, após alta de 0,79 por cento em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
A taxa em 12 meses acelerou a alta para 6,51 por cento, ante 6,30 por cento em março, rompendo o teto da meta perseguida pelo governo, que tem centro em 4,5 por cento e tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. É a primeira vez desde junho de 2005 que a taxa em 12 meses supera o teto da meta do ano e ela acontece antes da previsão do Banco Central, que esperava isso inicialmente apenas no terceiro trimestre.
Analistas ouvidos pela Reuters previam para abril leitura de 0,84 por cento e avanço de 6,58 por cento em 12 meses.
"É preciso ter uma atenção com a taxa em 12 meses daqui para frente. Vamos ter um efeito matemático pela frente. Qualquer que seja a taxa positiva esse ano nos meses de junho, julho e agosto, vai puxar o IPCA em 12 mese para cima", disse economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.
"Ano passado, tivemos uma queda forte dos alimentos que empurrou o IPCA (fortemente) para baixo e, esse ano, os alimentos já começaram a recuar mas ainda estão em um nível alto e continuam pressionando a inflação", acrescentou.
Ou seja, a taxa em 12 meses deve continuar acima do teto de 6,5 por cento da meta nos meses à frente --podendo chegar a 7 por cento em setembro, na previsão de José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator--, mas depois arrefecer. O mercado prevê uma inflação neste ano de 6,34 por cento. No ano até abril, o IPCA subiu 3,23 por cento.
O governo vem tomando medidas nos lados monetário e fiscal. No mês passado, o Banco Central diminuiu o ritmo da alta do juro, para 0,25 ponto percentual, mas disse ver um aperto por um período "suficientemente longo", levando o mercado a prever mais elevações do que o anteriormente estimado.