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Taxa do cheque especial sobe em abril e passa de 150% ao ano

11 de maio 2011 - 11h24 Por Redação Douranews, com R7
Taxa do cheque especial sobe em abril e passa de 150% ao ano
As taxas de juros do cheque especial, dos empréstimos e do crédito do comércio continuaram aumentando em abril. Uma pesquisa da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostrou que o custo do cheque especial, por exemplo, já passou dos 150% ao ano.

A linha de crédito do cheque passou de 7,78% ao mês (145,73% ao ano), em março, para 7,97% ao mês (150,98% ao ano) em abril. Em uma conta simples, equivale a dizer que se a conta bancária estivesse no vermelho em R$ 200 no ano passado, um ano depois o total que o cliente deveria desembolsar para repor o crédito e os juros seria R$ 501,96.

Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (10), essa modalidade de crédito foi a que mais aumentou entre março e abril. Atualmente, esses são os maiores juros desde novembro de 2008.

Das seis linhas de crédito ao consumidor pesquisadas, somente duas mantiveram as taxas idênticas às de março. O cartão de crédito ficou em 10,69% ao mês (ou 238,30% ao ano) e o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) de bancos, em 2,39% ao mês (32,77% ao ano).

No mês passado, o cartão e os empréstimos de financeiras eram as modalidades de crédito mais caras. A primeira cobrava juros muito acima dos 240% ao ano, enquanto a segunda estava em 195,20% ao ano. O cartão está desde o mês passado no maior valor desde 2000.

A conta do cartão seria a seguinte: se o cliente tinha uma dívida de R$ 300 no rotativo em maio do ano passado, em abril ele veria essa conta passar para R$ 1.014,90. De março a abril deste ano, a mesma dívida passaria para R$ 332,07.

A associação diz que a taxa média de juros cobrados dos consumidores no mês passado foi de 6,78% ao mês (o equivalente a 119,72% ao ano) para 6,81% (120,47%). O aumento é pequeno, mas reflete as medidas do governo para esfriar o consumo, como explica o coordenador do trabalho e vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliviera.

- Estas elevações podem ser atribuídas a todas as medidas que vêm sendo implementadas pelo Banco Central para frear o consumo interno e reduzir a inflação.

Crédito escasso

No último mês de 2010, o Banco Central ampliou a fatia dos depósitos compulsórios (a grana que os bancos são obrigados a deixar nos cofres do BC), o que foi visto como uma forma de tirar dinheiro de circulação. Foram tirados de circulação mais de R$ 70 bilhões, segundo a Anefac.

Na mesma ocasião, o BC aumentou a exigência de capital para operação de crédito a pessoas físicas com prazos superiores a 24 meses. Isso forçou os bancos a ficarem mais restritivos com o crédito para a compra do carro novo, por exemplo.

Em janeiro, março e abril, a taxa básica de juros aumentou, o que encareceu o dinheiro. No mês passado, o governo aumentou a mordida do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de empréstimos longos para o consumidor.

Tudo isso tem um motivo principal por trás: o controle da inflação. A ideia é deixar o crédito mais caro para esfriar o consumo e baixar um pouco os preços. Nos últimos 12 meses (entre maio de 2010 e abril), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), usado como parâmetro da inflação do governo, ficou em 6,51% - acima da margem de segurança de 6,50% para a inflação.

Na pesquisa, a Anefac ainda considera os juros para as empresas. Das três linhas de crédito pesquisadas uma foi reduzida no mês (capital de giro) e duas foram elevadas (desconto de duplicatas e conta garantida).

A taxa de juros média geral para pessoa jurídica passou de 3,92% ao mês (58,63% ao ano), em março, para 3,96% ao mês (59,37% ao ano) em abril. Atualmente, esta é a maior taxa de juros média desde agosto de 2009.