“O governo grego está em uma situação super difícil, mas teve algumas vitórias nos últimos dias. Aprovou medidas de ajuste que incluem cortes importantes de gastos, aumento de impostos e um programa de privatização muito ambicioso. Por enquanto, o problema não deve afetar o Brasil. Não há nenhum sinal [de contaminação] porque os primeiros países a serem afetados por um agravamento da situação da Grécia seriam os da periferia europeia, notadamente Portugal e Irlanda e, num segundo grupo, Espanha e Itália. E só se a crise viesse a afetar outros países fora da Europa é que o Brasil sentiria os efeitos, por enquanto não.”
O economista ressaltou que, apesar das conquistas políticas obtidas pelo governo grego nos últimos dias, a crise no país ainda está longe de ser superada. “A crise da Grécia não vai ser resolvida rapidamente porque o país acumulou muitos problemas, durante muitos anos. A política fiscal grega foi extraordinariamente irresponsável nos anos que antecederam a crise. Os números estavam sendo mascarados pelo governo anterior e as autoridades europeias e o FMI não se deram conta do grau de distorção das estatísticas. A Grécia também acumulou um problema de competitividade internacional muito sério, hoje está com preços e salários muito acima do que seria necessário para a economia ter competitividade internacional. O governo grego passou por algumas barreiras importantes. Mas o problema não está nem solucionado nem equacionado. A situação da Grécia continua periclitante.”