Buscar terça-feira, 1 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
18°C
Economia

Moeda forte aumenta custo de vida do estrangeiro no Brasil

05 de agosto 2011 - 14h33 Por Redação Douranews, com Terra
Moeda forte aumenta custo de vida do estrangeiro no Brasil
Viajou horas, chegou ao Brasil, desembarcou no aeroporto, e sentiu fome. Foi até a lanchonete, pediu um sanduíche, e levou um susto. Quando viu o preço do Big Mac, ícone fast food, o norte-americano teve uma pista de que viver por aqui, ou simplesmente passar uma temporada, já custou bem menos.

No Brasil, o preço do lanche famoso é o segundo maior do mundo, segundo o Big Mac Index. O índice, criado na década de 80 pela revista The Economist, serve para calcular o valor do sanduíche em mais de 100 países. O objetivo é medir o grau de sobre ou subvalorização de uma moeda em relação ao dólar americano.

Mas esse é só um dos parâmetros que comprovam que é preciso trazer mais dólares na bagagem.  A “Pesquisa global de custo de vida 2011”, elaborada pela consultoria Mercer e divulgada no mês passado após análises em 214 cidades em cinco continentes, apontou que cidades brasileiras estão entre as que mais subiram no ranking das mais caras para se viver. Um dos motivos? A valorização do real em relação ao dólar.

“As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília nunca estiveram acima da vigésima posição. É mais caro para estrangeiros viver aqui do que nos Estados Unidos, por exemplo. A apreciação do real frente ao dólar diminuiu o poder de compra dos expatriados nas cidades brasileiras”, afirma Renata Herrera, consultora sênior de capital humano da Mercer.

Em 2011, São Paulo passou a ocupar o 10º lugar entre as cidades mais caras do mundo e o primeiro da América Latina, subindo 11 posições em relação a 2010. A capital paulista está à frente de Nova York (32ª posição) e de Londres (18º lugar da lista). Rio de Janeiro, que em 2010 ocupava a 29ª posição, subiu para a 12ª. Já Brasília subiu 37 posições na lista, ficando em 33º lugar.

Os dados são usados por empresas multinacionais e governos para definirem os subsídios aos funcionários que vão trabalhar em outros países. O custo de vida em Nova York é a base para a comparação e a referência para os preços dos produtos e serviços é o dólar. Serviços, aluguéis, transporte e alimentação são os itens que forçaram a escalada das cidades brasileiras no ranking, de acordo com a pesquisa que mede o custo comparativo de mais de 200 itens em cada local.

Brasileiro com vantagem

O raciocínio é simples:
se o estrangeiro recebe salário em dólar, não vai embolsar tanto dinheiro de volta quando fizer a conversão para o real. A moeda brasileira está valorizada e é com ela que o estrangeiro vai pagar as contas por aqui. “No passado, se o estrangeiro fosse gastar com habitação, alugava logo uma cobertura. Agora é o dinheiro dele que vale menos”, explica Antonio Evaldo Comune, coordenador do IPC da Fipe. O inverso também acontece: brasileiros podem viajar ao exterior “e lá vão poder comer em restaurantes melhores e se hospedar em hotéis que talvez não tivessem antes a oportunidade.”

Por trás do aumento do custo de vida

Antônio Carlos Alves dos Santos, professor de Economia da PUC/SP, tem uma explicação para o aumento do custo de vida em cidades brasileiras: a ótima fase de crescimento econômico do país se traduz em aumento de renda da população e em mais facilidades para arrumar emprego. Assim, profissionais que antes atuavam como pedreiros, encanadores, empregadas domésticas, babás, entre outros, passaram a buscar outras formas de trabalho. Como estão mais “raros”, os que permanecem nessas funções acabam jogando o preço lá no alto. Além disso, como a renda tem aumentado – entre outros fatores, pelos bons aumentos salariais garantidos pelos sindicatos de classe em função do crescimento econômico –, há mais gente em condições de contratar serviços.

“É a lei do mercado: há mais gente podendo pagar e menos gente ofertando, por isso os preços sobem. Esse movimento é tão significativo que o setor de serviços teve participação de um terço da composição da inflação do primeiro semestre, segundo o IBGE”, ressalta Santos.

Comune acrescenta que a alta do custo de vida se deve também ao preço dos alimentos em todo o mundo. A oferta não tem sido tão generosa por questões principalmente climáticas. Isso fez com que cidades como São Paulo apresentassem, no ano passado, um custo de alimentação duas vezes maior que o custo de vida em geral.

Ele destaca também os gastos com habitação: “Como a renda do brasileiro melhorou e o governo passou a apoiar programas de habitação, houve grande oferta de imóveis e os preços subiram a partir de 2008. Hoje, os custos de moradia – que incluem não só o aluguel, mas contas de água, luz e impostos – estão entre 40 e 50% mais caros em São Paulo.”

Apesar da desvalorização da moeda norte-americana prejudicar o consumo e o conforto de quem vem do exterior quando chega ao Brasil, por outro lado mantém a boa imagem do Brasil lá fora: “Ao ser visto como uma economia forte, o país desperta o interesse de investidores por ter passado quase ileso pela crise global e ainda continuar crescendo em diferentes setores da indústria, comércio e serviços”, conclui Herrera.