A avaliação foi feita hoje (31) pelos economistas Cláudio Considera, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Edmar Bacha, consultor-sênior do banco de investimento BBA.
Ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, no período de 1999 a 2002, Cláudio Considera disse que é preciso analisar com mais profundidade o que representam esses R$ 10 bilhões. Para que haja o corte na taxa de juros, é preciso, segundo ele, resolver outros problemas, entre os quais a questão da indexação da poupança.
“A indexação da poupança impede que a taxa de juros caia abaixo de um certo ponto, porque a taxa de juros dá 6% real. Você não vai conseguir baixar muito a taxa Selic com essa indexação. Mas ninguém quer falar disso. Esse assunto vira tabu”, disse Considera.
O ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Edmar Bacha, considerado por muitos analistas o pai do Plano Real, compartilhou da mesma opinião em relação ao esforço fiscal versus taxa de juros.
Ele acredita que ainda não é possível reduzir os juros. “Eu acho que ainda estamos com pressões inflacionárias muito substantivas, porque o mercado de trabalho está muito apertado. Não esqueçamos que, no ano que vem, o salário mínimo vai subir 14%. Por isso, é bom que a gente tenha, dessa vez, o lado fiscal ajudando o lado monetário para não precisar subir os juros tanto. Mas, eu acho que não é hora de baixar, ainda não”.
Bacha discordou, entretanto, da necessidade de desindexar a poupança para que ocorra a redução dos juros no país. “Quando chegarmos a 6%, vai precisar. Mas ainda falta muito caminho até lá”.
Bacha e Considera participaram do seminário promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Rio de Janeiro, para comemorar os 40 anos da Revista Pesquisa e Planejamento Econômico.