A decisão foi tomada em coordenação com o Federal Reserve (FED, banco central americano), Banco da Inglaterra, Banco do Japão, e com o Banco Nacional Suíço (SNB). Após o anúncio do BCE, o euro subiu um centavo de dólar e superou os US$ 1,39. O BCE fará leilões de dólares em 12 de outubro, 9 de novembro e 7 de dezembro. Estas três operações se somarão ao leilão semanal que o banco promove para injetar liquidez.
Na quarta-feira, o BCE emprestou US$ 575 milhões durante uma semana a dois bancos comerciais da zona do euro a uma taxa de juros fixa de 1,10%. Há cerca de um mês não era realizado nenhum empréstimo a bancos. O banco francês BNP Paribas desmentiu na terça-feira que tenha problemas para refinanciamentos em dólares, após informações publicadas sobre o assunto no The Wall Street Journal.
O BCE não publicou nem o nome, nem a nacionalidade dos bancos aos quais empresta a liquidez em dólares. A autoridade monetária europeia emprestou no dia 14 de agosto US$ 500 milhões a um banco da zona do euro. A entidade não tinha injetado liquidez em dólares no mercado do euro desde o fim de fevereiro. O BCE mantém um acordo de divisas recíproco de caráter temporário (linha de swap) com o Fed desde setembro de 2008, após a intensificação da crise financeira com a quebra do banco Lehman Brothers.
As operações do BCE serão conduzidas a uma taxa fixa e serão realizadas em 12 de outubro, 9 de novembro e 7 de dezembro. Os bancos da zona do euro têm enfrentado novas restrições para encontrar financiamento em dólar, com desconfiança crescente entre os bancos por causa da crise de dívida governamental.Entenda
No auge da crise de crédito, que se agravou em 2008, a saúde financeira dos bancos no mundo inteiro foi colocada à prova. Os problemas em operações de financiamento imobiliário nos Estados Unidos geraram bilhões em perdas e o sistema bancário não encontrou mais onde emprestar dinheiro. Para diminuir os efeitos da recessão, os países aumentaram os gastos públicos, ampliando as dívidas além dos tetos nacionais. Mas o estímulo não foi suficiente para elevar os Produtos Internos Brutos (PIB) a ponto de garantir o pagamento das contas.
A primeira a entrar em colapso foi a Grécia, cuja dívida pública alcançou 340,227 bilhões de euros em 2010, o que corresponde a 148,6% do PIB. Com a luz amarela acesa, as economias de outros países da região foram inspecionadas mais rigorosamente. Portugal e Irlanda chamaram atenção por conta da fragilidade econômica. No entanto, o fraco crescimento econômico e o aumento da dívida pública na região já atingem grandes economias, como Itália (120% do PIB) e Espanha.
Um fundo de ajuda foi criado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE), com influência da Alemanha, país da região com maior solidez econômica. Contudo, para ter acesso aos pacotes de resgates, as nações precisam se adaptar a rígidas condições impostas pelo FMI. A Grécia foi a primeira a aceitar e viu manifestações contra os cortes de empregos públicos, programas sociais e aumentos de impostos.
Os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - no último dia 16 de maio. Na ocasião, o Tesouro usou ajustes de contabilidade, assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando normalmente. O governo, então, passou por um longo período de negociações para elevar o teto. O acordo veio só perto do final do prazo (2 de agosto) para evitar uma moratória e prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões). Mesmo assim, a agência Standard & Poor's retirou a nota máxima (AAA) da dívida americana.