Ao mesmo tempo em que obras são paradas por suspeita de corrupção e autoridades perdem seus empregos graças a dados publicados pelo próprio governo, o Tesouro comemora sucessivos recordes de arrecadação, estimulados em parte por tributos “misteriosos” para o cidadão comum. Em vários países, movimentos de consumidores furiosos são tão comuns quanto manifestantes mais partidários. Não é o caso do Brasil.
Quando o assunto é transparência, o governo e a academia exaltam no Brasil a atualização diária pelo Portal da Transparência, da CGU, de orçamentos e empenhos feitos pelo Executivo – o que não acontece sequer nos Estados Unidos, referência por conta do site estatal data.gov e de sua avançada lei de acesso à informação. Apesar de isso ter estimulado um acordo com os norte-americanos nesse ramo, os brasileiros têm mais a aprender do que a ensinar.
“O Brasil avançou mais que muitos outros países ao colocar seus orçamentos online por meio da CGU e de outros sites. Mas para entrar para o primeiro mundo nesse aspecto faltam uma lei de acesso, estrutura para fornecer esses dados e cobranças da sociedade civil”, disse o analista político canadense Greg Michener, especialista em transparência governamental. “Além disso, a transparência tributária é zero no Brasil. Nisso os EUA estão quilômetros à frente.”