De acordo com ela, existe uma defasagem entre o aumento do dólar no mercado financeiro e a economia real, uma vez que as empresas possuem estoques e contratos firmados com o câmbio antigo, em um patamar inferior ao atual.
Eulina acrescentou ainda que, embora a valorização da moeda americana já tenha pressionado para cima a inflação do atacado, conforme a alta de 0,75% do IGP-DI de setembro, para impactar negativamente o varejo, a variação cambial precisará ser repassada pelos comerciantes aos consumidores.
"Isso vai depender da demanda, de como o comerciante vai conseguir colocar o produto dele em um novo preço, dado o seu faturamento", disse.
Segundo avaliação da especialista, o efeito imediato da alta do dólar em relação ao real "geralmente" acontece no grupo alimentos, o que não ocorreu em setembro, apesar de o grupamento, que também inclui bebidas, ter subido 0,64% no período, depois de um aumento de 0,72% em agosto.
A alta dos alimentos em setembro, afirmou Eulina, decorreu de entressafra, maior demanda e quebra de safras, como as de cana-de-açúcar.
Mesmo o aumento nos preços das passagens aéreas, 23,40% mais altos em setembro na comparação com agosto, não foram influenciados pelo câmbio, disse ela.
Segundo Eulina, os efeitos de demanda por transporte aéreo são muito mais fortes que o aumento do dólar.
"As passagens aéreas tem uma forma diferenciada de cobrança. Dependendo da demanda, as empresas retiram as tarifas mais baratas e disponibilizam as mais caras. O mês de setembro teve feriado e Rock in Rio, o que fez com que os preços de passagem se elevassem", disse.