O menor valor até então foi medido em novembro de 2008, quando foi registrado uma dívida/PIB de 37,8%. Segundo o BC, o percentual de 37,2% é 2 pontos percentuais menor que o medido em agosto. A autoridade monetária afirma que o a queda da dívida pública em relação ao PIB se deve à desvalorização cambial, que contribuiu para a redução de R$ 80,9 bilhões no valor total.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, explica que o País passou a ser credor internacional e, por isso, a alta no dólar contribui para a melhora do cenário fiscal brasileiro. "Cabe lembrar que esse comportamento é diferente de outros episódios em que tínhamos uma deterioração do ambiente econômico. Em outros momentos, uma desvalorização cambial implicaria uma piora na situação da dívida. Esse resultado vem contribuir para atenuar os impactos de crise", disse.
A expectativa, segundo o chefe da autoridade monetária, é que a dívida líquida volte ao patamar observado antes da piora da crise financeira internacional. O BC estima que, em outubro, a dívida líquida suba para 38,2% em relação ao PIB, com a expectativa de dólar a R$ 1,70.
O superávit primário do governo federal (a economia feita para pagar os juros da dívida pública) atingiu R$ 8,1 bilhões em setembro. O esforço fiscal, no entanto, não foi suficiente para pagar os juros da dívida de setembro, que ficou em R$ 17,2 bilhões. Assim, o déficit nominal - receita menos despesas - ficou em R$ 9,1 bilhões. A meta para a economia do governo federal no ano é de R$ 127,9 bi. De janeiro a setembro, o governo já economizou R$ 104,6 bilhões, equivalente a 81,8% da meta para 2011.
"Isso reflete, pelo lado das receitas, a continuidade do crescimento da economia e a evolução mais comedida das despesas. Enquanto a receita tem crescido cerca de 20% ao ano, as despesas subiram 10%, entre janeiro e setembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Daqui para o fim do ano estaremos com uma despesa menor que o ano passado. É preciso para conseguirmos cumprir a meta plena este ano. Nossa situação é melhor em 2011. Eu diria que estamos numa situação 'confortável' para atingir a meta de superávit", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC.
O governo central - Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social - economizou, em setembro, R$ 5,4 bilhões. Os governos estaduais e municipais foram responsáveis por um superávit de R$ 2,2 bilhões. Já as empresas estatais tiveram déficit de R$ 46 milhões.
O resultado de setembro de 2011 é bem inferior se comparado com setembro do ano passado, quando houve um superávit de R$ 28 bilhões. No entanto, no mesmo mês de 2010 houve a operação de capitalização da Petrobras, em que a estatal pagou à União um total de R$ 74,8 bilhões pela cessão onerosa de 5 milhões de barris de petróleo. "Sem a Petrobras, setembro de 2010 teria registrado um déficit de R$ 3,7 bilhões, o que faria setembro de 2011 registrar o melhor resultado para o mês da série histórica", disse Túlio Maciel.