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Governo critica método para justificar 84º lugar no IDH 2011

04 de novembro 2011 - 11h26 Por Redação Douranews, com Terra
Governo critica método para justificar 84º lugar no IDH 2011

A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, disse na quinta-feira que o resultado do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2011 não reflete os avanços mais recentes do País em saúde, educação e transferência de renda. O Brasil foi o 84º colocado em uma lista de 187 países, divulgada no dia anterior pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O governo decidiu reagir depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a metodologia do Pnud. De acordo com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, Lula, que está em tratamento contra um câncer de laringe, telefonou pela manhã para o Palácio do Planalto reclamando do relatório. "Ele telefonou para falar sobre os números do Pnud. Estava irado, dizendo que (o relatório) era injusto e que o governo tinha que reagir", disse Carvalho.

A principal crítica do governo é ao Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), um dos indicadores complementares do IDH, divulgado no mesmo dia pelo Pnud. O IPM vai além da renda e avalia privações nas áreas de saúde, educação e padrão de vida para avaliar se uma pessoa é pobre. O índice considera privações em dez indicadores, como nutrição, acesso à água potável, saneamento, acesso à energia e anos mínimos de escolaridade. É considerado multidimensionalmente pobre o indivíduo privado de, pelo menos, um terço dos indicadores. Segundo o Pnud, 2,7% da população brasileira, cerca de 5 milhões de pessoas, estão incluídos nesse tipo de pobreza.

"Preocupa-nos que o relatório trate do IPM com indicadores de 2006, porque é exatamente a partir de 2006 que o Brasil avançou num conjunto de elementos. incorporando essa multidimensionalidade da pobreza, se preocupando com a pobreza não só do ponto de vista da renda. A partir de 2007 é que se incorporou uma parcela muito grande da população no (Programa) Bolsa Família", disse Tereza Campello.

Segundo a ministra, além do Bolsa Família, os avanços sociais e econômicos proporcionados pela política de valorização do salário mínimo, pelos investimentos em agricultura familiar e programas como o Luz para Todos (de universalização do acesso à energia elétrica) também não estão refletidos no cálculo do Pnud por causa da defasagem dos dados.

"Se conseguirmos incorporar esses elementos nas estatísticas e nos relatórios do Pnud, certamente teremos um salto muito grande e um impacto muito maior nos próximos relatórios. O Pnud mostra que o Brasil avança, continua melhorando, mas, na nossa avaliação, esse avanço é ainda maior."

Campello reforçou a crítica feita mais cedo por Gilberto Carvalho à metodologia usada pelas Nações Unidas para definir o desempenho dos países no desenvolvimento humano. "Há vários anos pedimos ao Pnud para que estatísticas recentes do País sejam consideradas no relatório. É muito preocupante usar dados de 2006. Parcela dessa metodologia não é nem conhecida pelo governo brasileiro, fica até difícil fazer uma discussão sobre a metodologia porque não a conhecemos", disse.