Neste ano o mundo se volta para o cooperativismo, reconhecendo o valor e o trabalho que tem sido desenvolvido pelas cooperativas. Foi assim, também, sexta-feira (29), quando a Câmara de Vereadores de Dourados prestou homenagens a vários dirigentes cooperativistas que tem se dedicado em prol de um ideal de vida, “um ideal que coloca o ser antes do ter, o coletivo antes do individual, a união em lugar da competição”, como declarou o agrônomo Valdir Pimenta da Silva, presidente da Cergrand, escolhido para falar em nome dos homenageados.
O dirigente cooperativista arrancou aplausos de vereadores, deputados, dirigentes cooperativistas e o público que prestigiava o evento, ao declarar que as cooperativas constroem um mundo melhor. Muito antes de qualquer Ong, as cooperativas já estavam preocupadas com a sustentabilidade e não apenas com palavras, mas com ações efetivas, e, muito antes de qualquer movimento social, as cooperativas tem, não apenas falado, mas praticado a inclusão social e a geração de emprego e renda.
Pimenta prosseguiu dizendo que, muito antes que os partidos políticos, as cooperativas tem defendido e praticado a democracia, mesmo quando ela era apenas um sonho na vida política brasileira, e tem preparado homens e mulheres para o exercício pleno da cidadania, lembrando que muito além dos discursos, as cooperativas tem procurado “preparar jovens que no dia de amanhã terão em suas mãos os destinos de nossa nação”.
O presidente da Cergrand lembrou ainda que jovens que participam de programas oferecidos pelas cooperativas, como o Cooperjoven (Programa Jovem Aprendiz), estão aprendendo que é possível construir um mundo mais humano, ter crescimento e desenvolvimento econômico fora dos padrões cruéis e autoritários de competição, ditados pelas grandes corporações.
“Creio que foram considerações como essas que levaram a ONU a decretar 2012 com o Ano Internacional das Cooperativas e fizeram com que a Câmara Municipal de Dourados realizasse hoje essa tão importante solenidade para homenagear homens abnegados que dedicaram suas vidas em prol de um ideal de vida, um ideal que coloca o ser antes do ter, o coletivo antes do individual e a união em lugar da competição”, discursou Valdir Pimenta.
Reconhecimento
Os cooperativistas homenageados pela Câmara de Vereadores de Dourados foram o próprio Valdir Pimenta da Silva (Cergrand), Jonas Gonçalves Araújo (Copacentro), Ossamu Arakaki (Unimed) e Frederico Stefanello (Sicredi), representando respectivamente, os setores de infraestrutura, produção, saúde e crédito. Várias autoridades discursaram enaltecendo o cooperativismo e os homenageados, entre os quais o presidente do Legislativo douradense, Idenor Machado, Walter Hora, vereador líder do Executivo naquela Casa de Leis e Celso Ramos, presidente da OCB e SESCOP/MS.
Após ressaltar que os homenageados fizeram a diferença na construção de uma sociedade mais justa e mais humana, o presidente da Cergrand declarou: “Nos sentimos extremamente honrados por receber esta moção de honra concedida por esta Câmara Municipal, e não podemos negar que isto faz muito bem à alma. É muito bom ser reconhecido, especialmente pelos seus, por esta comunidade pela qual lutamos e com a qual sonhamos; sentimos ainda mais honrados porque sabemos que além das pessoas homenageadas, isto representa um reconhecimento ao cooperativismo, e este é sem dúvida o sonho de todo cooperativista”.
Disse também que o cooperativismo tem muito a oferecer para o Brasil e para Mato Grosso do Sul em especial; no entanto, é necessário que ele seja tratado como é de fato. “É necessário que as cooperativas sejam tratadas como cooperativas - sociedade de pessoas, que elas são, e não equiparadas com as sociedades de capitais, cujo único objetivo é o lucro, na maioria das vezes em detrimento das pessoas”, sustentou Valdir Pimenta.
O presidente da Cergrand concluiu reconhecendo que o Brasil tem uma Constituição Federal que é uma das mais avançadas do mundo, quando se trata de cooperativismo. No entanto, reclamou que existe uma enorme barreira que impede que as determinações constitucionais sejam colocadas na prática, porque falta vontade política, política de governo, conhecimento e cobrança por parte da sociedade.