O governo vai cobrar das empresas que recebem incentivos fiscais a manutenção de empregos, disse nesta sexta-feira a presidente Dilma Rousseff. Ao ser questionada sobre demissões em montadoras que receberam desonerações tributárias, Dilma ressaltou que qualquer empresa que tenha tido algum benefício tem o compromisso de gerar mais postos de trabalho. “Fazemos isso só para garantir o emprego. Todas as empresas que receberam incentivos têm que dar retorno. E esse retorno vem na forma do emprego”, afirmou a presidente, em entrevista coletiva em Londres, onde vai assistir, na noite de hoje, a abertura dos Jogos Olímpicos.
Dilma observou que o governo vem acompanhando essa situação de forma permanente, e que prepara novos incentivos para a economia crescer de forma significativa. Segundo ela, novas medidas deverão ser anunciadas em agosto.
A presidente projetou crescimento econômico mais acelerado nos próximos meses, mas evitou fazer uma previsão fechada. Ela exaltou a situação financeira atual do País, que classificou como “diferenciada”. “Fizemos nosso dever de casa e as condições para redefinir o crescimento econômico estão colocadas”, comentou.
IPI reduzido ameaçado
O governo de Dilma Rousseff ameaça suspender a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, que está em vigor desde maio e valeria até 31 de agosto, caso a General Motors demita os 2 mil funcionários de sua unidade no complexo industrial de São José dos Campos, em São Paulo. De acordo com informações publicadas na Folha de S. Paulo nesta sexta-feira, o recado foi dado após o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos pedir a intervenção do Executivo para evitar demissões.
Ainda de acordo com a publicação, Dilma só aceitaria o fechamento da unidade caso vagas equivalentes em outra fábrica fossem criadas. Alguns ministros reconhecem que a suspensão do IPI reduzido é drástica e que o Planalto aposta em um acordo. O governo convocou a montadora e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) a dar explicações na próxima terça-feira, quando uma reunião com o Ministro da Fazenda Guido Mantega está marcada.