O avanço tecnológico está associado diretamente ao crescimento da educação no país, fator que não tem sido verificado nos últimos 10 anos e impede o desenvolvimento econômico, inclusive do agronegócio. A afirmação é do engenheiro agrônomo e doutor em Economia Aplicada, Alexandre Mendonça de Barros, palestrante da segunda edição do Congresso do Setor Sucroenergético do Brasil Central (Canacentro), em Campo Grande(MS).
Para o palestrante a economia brasileira está estacionada, em padrão de crescimento muito baixo se comparado com as potencialidades que o país apresenta. “Cito como exemplo o percentual de pessoas que deveriam cursar o ensino superior no Brasil, de acordo com a faixa etária, que caiu de 76% para 64% entre 2001 e 2011”, destacou Barros.
Além da tecnologia, Barros, que é também consultor da MB Agro, enfatizou que o acumulo de capital, o aumento da força de trabalho e a qualificação profissional são fundamentais para o desenvolvimento econômico. “No ranking mundial, estamos na 58ª posição no índice de inovação tecnológica, mesmo apresentando o 7º maior PIB mundial”, ressaltou ao considerar que o Brasil vive a doença de baixo crescimento econômico.
Com o PIB avançando apenas 1% e a inflação alta atinge 6,5%, durante sua apresentação no Canacentro, Barros enfatizou que a curto prazo não há prognóstico positivo para a economia. “Para o desenvolvimento econômico de um país é necessário que o PIB evolua principalmente com o ganho da produtividade, o que não vem ocorrendo”.
Referindo-se ao agronegócio, Barros destacou que o setor gerou superávit entre US$ 80 e 90 bilhões, sendo o responsável pelo equilíbrio da balança comercial, diferentemente de outros setores. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), Eduardo Riedel, apesar da relevância do agronegócio há potencialidades a serem exploradas. “O Brasil tem potencial para se tornar centro de matriz energética, tendo como base a ciência e as pesquisas desenvolvidas pelas academias”.
O mediador do debate sobre macroeconomia, o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, retratou sobre a falsa percepção do brasileiro em relação ao andamento da economia. “A tendência é acreditar que a economia melhorou, porque a renda individual aumentou, entretanto, crescemos bem menos que os países que saíram de crises recentemente, como os Estados Unidos”.