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Ensino a distância no Brasil pode dobrar em cinco anos

04 de junho 2014 - 18h07 Por Redação Douranews
Ensino a distância no Brasil pode dobrar em cinco anos

Com a perspectiva de dobrar o número de alunos em cinco anos, o ensino a distância no Brasil aparece como alternativa que oferece flexibilidade aos estudantes e margens maiores para as companhias de educação, que investem em novos polos e cursos, como educação física e engenharia.

Cerca de 25% das matrículas do ensino superior são nesta modalidade atualmente e a expectativa é que esta fatia possa alcançar 40% a 45% nos próximos anos, de acordo com as estimativas do diretor-executivo de operações de ensino a distância (EAD) da Estácio Participações, Pedro Graça. A modalidade ganhou força com a popularização da banda larga no País, e agora uma nova geração de jovens nascidos em um ambiente cem por cento digital abre novas perspectivas.

Enquanto isso, o preço da mensalidade, que chega a ser até quatro vezes mais barato do que um curso presencial, aliada ao crescimento da classe C e aos 15 milhões de adultos entre 25 e 30 anos que ainda não possuem curso superior no Brasil são os principais pilares para a expansão do EAD no País. "A tendência é o número de alunos dobrar nos próximos cinco anos", disse à Reuters o diretor da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), Carlos Longo.

Os dados do Censo da Educação Superior divulgado em setembro do ano passado mostraram que o EAD no Brasil encerrou 2012 com 1,2 milhão de alunos matriculados, ante um total de 7 milhões do sistema total. O ritmo de expansão de novos ingressantes foi de 12,2% no ensino a distância, enquanto na educação presencial o crescimento médio foi de 4,4% em 2012 ante 2011, segundo os dados mais recentes do Ministério da Educação (MEC).

A expectativa agora da rede de ensino privado é a liberação por parte do governo federal do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que hoje abrange apenas o presencial, para o EAD. "O ministro (da Educação) Henrique Paim demonstrou interesse por parte do governo em fomentar essa modalidade de ensino, até mesmo para atender a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) sobre a expansão do ensino superior, que hoje está muito aquém do previsto", disse o diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Sólon Caldas, em entrevista ao chat Trading Brazil, um serviço da Thomson Reuters.

A forte expansão tem um longo prazo de validade. Segundo Longo, da Abed, o setor ainda tem pela frente duas décadas de prosperidade no crescimento de alunos, e durante este tempo o perfil dos estudantes presenciais não deve concorrer com os do EAD.

A flexibilidade que a modalidade oferece levou a pernambucana Elaine Marinho, 40 anos, a optar por cursar Serviço Social a distância na Unopar, instituição comprada em 2011 pela Kroton por R$ 1,3 bilhão. Moradora de Paulista (PE), ela assiste às aulas presenciais às quartas-feiras em Recife, distante cerca 20 quilômetros de sua residência. Após um estágio durante o curso, Elaine foi contratada como orientadora social e hoje tem um salário 50% maior do que quando trabalhava como massoterapeuta.

"Acho muito bom o ensino a distância porque abre oportunidades. Mas requer do aluno maturidade para administrar seu tempo", disse a pernambucana que deve se formar em 2015 e paga uma mensalidade de cerca de R$ 300. Apesar das perspectivas de crescimento robusto, a concorrência tende a ficar mais acirrada, com outras empresas de olho nas margens maiores da modalidade. Atualmente pouco mais de 200 instituições atuam no segmento e outras 100 já pediram autorização ao MEC para oferecer o serviço, segundo o diretor da Abed.

A Kroton Educacional é a líder do Brasil em número de alunos, com 444 mil estudantes de graduação e pós-graduação a distância, matriculados ao final do primeiro trimestre. Entre janeiro e março, o segmento representou 37,4% do lucro bruto consolidado da Kroton, com margem bruta de 81,3%, ante 67,5% do resultado total. Hoje, os alunos EAD da Kroton representam 70% do total, mas após a combinação com a Anhanguera esta proporção vai cair para 50%. Para aprovar a fusão entre as duas empresas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou a venda de ativos de EAD da Uniasselvi, com 75 mil alunos.

"A Uniasselvi é uma operação com base de alunos bastante repesentativa, com margem robusta, e que cresceu muito nos últimos anos. É bastante atrativa para o mercado", disse o diretor de operações EAD da Kroton Educacional, Dieter Paiva, sem fornecer mais detalhes sobre interessados na compra.

A Estácio, enquanto isso, vai adicionar quase 34 mil alunos do segmento com a compra da Uniseb. Ao final do primeiro trimestre, a empresa tinha 78,4 mil estudantes de EAD. Segundo Graça, o EAD hoje representa 8% do faturamento da companhia. "Ainda é um percentual pequeno, mas a gente quer fazer crescer. A Estácio ainda tem uma participação maior no presencial", disse à Reuters o executivo da companhia. Para aprovar a compra da Uniseb, o Cade também determinou restrições no segmento a distância, limitando a Estácio na captação de novos alunos nos próximos quatro semestres letivos em nove localidades e 20 cursos. 

Novos cursos e polos
Além do crescimento por meio de novos polos, a criação de novos cursos também contribui para o avanço do EAD nas empresas de educação.

"Para que a gente possa continuar crescendo, tem que lançar produtos novos. Nosso objetivo é lançar quatro, cinco produtos novos a cada ano", disse Dieter, da Kroton. A companhia pretende oferecer o curso de engenharia para o vestibular de verão de 2015. Este ano, lançou o curso de educação física, com cerca de 20 mil alunos matriculados.

Hoje a Kroton oferece 31 cursos, divididos entre 48 polos Uniasselvi e 439 polos da Unopar, além do pedido no MEC de mais 225 polos para a Unopar. A Estácio, tem registrados no MEC pedidos para o início de 74 novos polos, enquanto a compra da Uniseb vai somar outros 164 quando a operação foi concluída.