O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu nesta quarta-feira (18) que a economia brasileira pode ter encolhido no ano passado, durante evento dirigido a cerca de 200 investidores e analistas de mercado, em Nova York.
"Estamos em um ritmo mais lento nos últimos tempos, e todos ressentimos que o crescimento desacelerou e talvez no ano passado tenha sido negativo, devido à queda em grandes investimentos", afirmou o ministro, referindo-se à possível contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014.
Na noite desta quarta-feira, o ministério da Fazenda enviou uma nota à imprensa afirmando que a declaração do ministro referia-se a uma possível retração no ano passado ("last year", em inglês), negando interpretações de que Levy falava sobre 2015 ("this year").
"Os investimentos em geral desaceleraram e na verdade atingiram até um crescimento negativo em certos aspectos, devido a grandes projetos, mas acho que vale mencionar que continuamos a obter muitos investimentos de pequeno e médio porte", completou o ministro no evento.
O chefe da Fazenda afirmou também que o país está deixando para trás as medidas anticíclicas (que visam estimular o crescimento em um momento de baixa atividade) adotadas pela equipe econômica anterior.
Ajuste fiscal
Sobre as novas medidas de ajuste do governo, Levy reafirmou o compromisso com o rigor fiscal e com a meta de superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) para 2015 – o equivalente a R$ 66,3 bilhões para todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais).
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durantecoletiva em Brasília, nesta quarta-feira (11)
(Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino )
Em janeiro, Levy anunciou o aumento de tributos sobre combustíveis, sobre produtos importados e, também, sobre operações de crédito. A equipe econômica espera arrecadar R$ 20,6 bilhões em 2015 com as mudanças.
Segundo o chefe da Fazenda, os empréstimos do Tesouro para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não são mais instrumento de política econômica. O banco empresta dinheiro ao setor privado a juros abaixo do mercado. "O BNDES vai buscar outras formas de captar dinheiro", afirmou.
Cortes de benefícios
O ministro disse ainda estar confiante de que o governo terá o apoio do Congresso para aprovar as medidas de ajuste fiscal. Recentemente, o governo limitou alguns benefícios sociais por Medidas Provisórias, como seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte.
Levy justificou as medidas afirmando que os gastos com seguro-desemprego passaram de 0,5% do PIB para 1,1% recentemente. Os reajustes do salário mínimo acima da inflação e os benefícios sociais ajudaram a inflar os gastos do governo, afirmou o ministro.