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Economia brasileira pode ter encolhido em 2014

19 de fevereiro 2015 - 10h42 Por Redação Douranews
Economia brasileira pode ter encolhido em 2014

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu nesta quarta-feira (18) que a economia brasileira pode ter encolhido no ano passado, durante evento dirigido a cerca de 200 investidores e analistas de mercado, em Nova York.

"Estamos em um ritmo mais lento nos últimos tempos, e todos ressentimos que o crescimento desacelerou e talvez no ano passado tenha sido negativo, devido à queda em grandes investimentos", afirmou o ministro, referindo-se à possível contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014.

Na noite desta quarta-feira, o ministério da Fazenda enviou uma nota à imprensa afirmando que a declaração do ministro referia-se a uma possível retração no ano passado ("last year", em inglês), negando interpretações de que Levy falava sobre 2015 ("this year").

"Os investimentos em geral desaceleraram e na verdade atingiram até um crescimento negativo em certos aspectos, devido a grandes projetos, mas acho que vale mencionar que continuamos a obter muitos investimentos de pequeno e médio porte", completou o ministro no evento.

O chefe da Fazenda afirmou também que o país está deixando para trás as medidas anticíclicas (que visam estimular o crescimento em um momento de baixa atividade) adotadas pela equipe econômica anterior.

Ajuste fiscal
Sobre as novas medidas de ajuste do governo, Levy reafirmou o compromisso com o rigor fiscal e com a meta de superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) para 2015 – o equivalente a R$ 66,3 bilhões para todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais).

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante coletiva em Brasília (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino )O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante
coletiva em Brasília, nesta quarta-feira (11)
(Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino )

 Em janeiro, Levy anunciou o aumento de tributos sobre combustíveis, sobre produtos  importados e, também, sobre operações de crédito. A equipe econômica espera arrecadar  R$ 20,6 bilhões em 2015 com as mudanças.

 Segundo o chefe da Fazenda, os empréstimos do Tesouro para o BNDES (Banco Nacional  de Desenvolvimento Econômico e Social) não são mais instrumento de política econômica.  O banco empresta dinheiro ao setor privado a juros abaixo do mercado. "O BNDES vai  buscar outras formas de captar dinheiro", afirmou.

 Cortes de benefícios
 O ministro disse ainda estar confiante de que o governo terá o apoio do Congresso para  aprovar as medidas de ajuste fiscal. Recentemente, o governo limitou alguns benefícios  sociais por Medidas Provisórias, como seguro-desemprego, abono salarial e pensão por  morte.
Levy justificou as medidas afirmando que os gastos com seguro-desemprego passaram de 0,5% do PIB para 1,1% recentemente. Os reajustes do salário mínimo acima da inflação e os benefícios sociais ajudaram a inflar os gastos do governo, afirmou o ministro.