O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras enfrenta nesta terça-feira (14), em Atenas, a tarefa de convencer seu país a aceitar as medidas exigidas pela zona do euro em troca de ajuda financeira, e que devem ser aprovadas no parlamento na quarta-feira (15).
De volta de Bruxelas, Tsipras buscou o apoio do povo grego, do parlamento e de seu partido de esquerda, Syriza, que venceu as eleições em janeiro com a promessa de acabar com cinco anos de aperto financeiro. Na segunda-feira (13), houve manifestação em Atenas contra o acordo.
O primeiro-ministro está em confronto com rebeldes em seu próprio partido, furiosos com sua capitulação às exigências da Alemanha para um dos pacotes de austeridade mais duros já exigidos de um governo da zona do euro.
O ministro do Interior, Nikos Voutsis, afirmou que o Parlamento da Grécia aprovará a legislação necessária para o novo pacote de ajuda financeira do fundo de resgate da Europa, apesar de visões dissidentes de alguns deputados do partido governista. "As decisões que irão facilitar um retorno à normalidade vão acontecer", disse Voutsis a repórteres. "Podem haver políticas para compensar essas medidas duras socialmente."
Apesar de ter chegado a um acordo com os credores, a Grécia perdeu na última segunda-feira (13) o prazo de um pagamento que devia ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O país tinha uma dívida de € 450 milhões com vencimento nesta segunda, às 19h pelo horário de Brasília. A ausência de pagamento foi informada pelo porta-voz do FMI, Gerry Rice, em comunicado.
Este já é o segundo pagamento que o país deixa de fazer ao FMI. No dia 30 de junho, venceu uma dívida de € 1,6 bilhão de euros. A Grécia não pagou essa dívida. Rice afirmou nesta segunda que o conselho executivo do FMI deve discutir nas próximas semanas um pedido da Grácia para estender o prazo para o pagamento do montande de € 1,6 bilhão.
"O atraso da Grécia com o FMI totaliza cerca de € 2 bilhões até a presente data", afirmou Rice em nota.
Na próxima segunda-feira (20), a Grécia precisará de € 3,5 bilhões para resgatar títulos que estão vencendo e que são detidos pelo Banco Central Europeu (BCE).
O presidente do Conselho da União Europeia (UE), Donald Tusk, anunciou nesta segunda-feira (13) que os chefes de Estado da zona do euro alcançaram um acordo que permite negociar e ajudar a Grécia com um novo pacote de ajuda financeira – o terceiro em cinco anos.
A Cúpula emergencial começou no domingo (12), após o fracasso da reunião de ministros de Economia e Finanças do Eurogrupo, entrou pela madrugada e só terminou pela manhã, após quase 17 horas de discussões.
Os líderes decidiram, por unanimidade, iniciar negociações com a Grécia com o objetivo de manter o apoio financeiro ao país, permitindo – se forem feitas as reformas necessárias – que os gregos se mantenham na zona do euro.