O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, afirmou a parlamentares de seu partido Syriza que será difícil continuar no cargo se não tiver o apoio deles na importante votação desta quarta-feira (15), disse uma autoridade do governo.
"Sou um primeiro-ministro porque tenho um grupo parlamentar que me apoia. Se eu não tiver o apoio dele, será difícil ser primeiro-ministro no dia seguinte", disse ele a parlamentares, de acordo com a autoridade.
A reunião entre o primeiro-ministro e os parlamentares aconteceu antes da votação no Parlamento para aprovar o pacote de austeridade exigido por parceiros europeus como condição para iniciar negociações sobre um novo acordo de resgate que manterá a Grécia na zona do euro.
O novo pacote de ajuda grega, além de não conter qualquer tipo de perdão de dívidas, impõe duras condições a Atenas, que incluem o compromisso de levantar um fundo com ativos gregos no equivalente a R$ 170 bilhões, além de medidas de austeridade que não apenas o governo grego tinha prometido não adotar, mas que também foram recusadas por 61% dos gregos em um pleblicito realizado há duas semanas.
A presidente do Parlamento da Grécia, falando em sua condição de parlamentar do partido governista, pediu nesta quarta-feira que a Casa de 300 assentos não aprove o pacote de medidas de austeridade exigido pelos credores do país em troca de um terceiro resgate.
"Este Parlamento não pode aceitar a chantagem dos credores", disse Zoe Constantopoulou, uma integrante proeminente do partido Syriza (o mesmo do primeiro-ministro grego), antes da crucial votação ainda nesta quarta-feira.
"Com total conhecimento de como as circunstâncias são cruciais... Acho que é dever do Parlamento não deixar que essa chantagem se materialize." Ela disse que os credores têm que respeitar os procedimentos parlamentares.
De volta de Bruxelas na véspera, o primeiro-ministro Alexis Tsipras buscou o apoio do povo grego, do parlamento e de seu partido de esquerda, Syriza, que venceu as eleições em janeiro com a promessa de acabar com cinco anos de aperto financeiro. Na segunda-feira (13), houve manifestação em Atenas contra o acordo.