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Dono da Riachuelo quer ser Steve Jobs das roupas

20 de julho 2015 - 21h36 Por Uol/Douranews
Dono da Riachuelo quer ser Steve Jobs das roupas

Há quase dez anos à frente do negócio fundado por seu pai, o empresário Flávio Rocha, 56, promoveu profundas mudanças na administração da Riachuelo, que possui 270 lojas no Brasil. A principal delas foi integrar todos os elos da cadeia produtiva do Grupo Guararapes, controlador da marca, que detém, além das lojas, empresas de confecção, transportadora e financeira.

Inspirado por Steve Jobs, que inovou ao oferecer serviços completos na Apple, da venda do aparelho ao armazenamento de dados em nuvem, diz: "Pretendemos ser a Apple da cadeia têxtil". Para isso, segundo ele, é necessário ter uma visão completa e não fatiada do negócio.

Durante palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), no último dia 30 de junho, ele falou a empresários sobre suas estratégias de gestão e sobre o plano de expansão da Riachuelo, segundo ele, o mais agressivo em 70 anos de empresa. Em 2014, o faturamento foi de R$ 6,1 bilhões.

Seus relatos mostram a experiência em uma grande empresa, mas as dicas podem ser aproveitadas também por micro e pequenos empresários, diz Arão Sapiro, professor de gestão e empreendedorismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

O dono da Riachuelo teve dois mandatos como deputado federal entre as décadas de 80 e 90 e afirma que a política ajudou a moldar seu estilo gerencial.

"A política é uma grande escola de humildade, ensina a conquistar pelo convencimento. Tira o mofo de onipotência que a empresa privada dá. Temos muito poder dentro de nossas empresas, podemos demitir, admitir, pintar as paredes de vermelho a hora que quisermos. A política é o oposto disso", declara Rocha.

Esse conceito pode ser aplicado em empresas de qualquer tamanho, segundo o professor Sapiro. A ideia de que o dono pode tudo é limitada.

"Mais do que mandar, o empreendedor deve ser uma fonte de inspiração. Essa é a cultura de negócios que está florescendo em mercados inovadores. O que vale não é o poder do capital ou da autoridade, mas da paixão pelo o que se faz", declara o professor.

Para integrar todos os elos da cadeia produtiva da Riachuelo, o empresário contou com a ajuda do consultor de negócios Eliyahu M. Goldratt, israelense autor do livro "A Meta". Ele incentivou Rocha a buscar o melhor resultado para a empresa como um todo e não em suas unidades de negócio independentes.

Os bônus nas remunerações dos funcionários também passaram a seguir essa lógica e, com isso, a empresa atingiu melhores resultados, segundo Rocha. "Foi uma mudança mágica. O pessoal de logística passou a dar sugestões de melhorias para o varejo e assim por diante."

Uma empresa pequena também pode contar com um mentor, diz Sapiro, do Mackenzie. Ele pode trazer outra visão. "Nem sempre a pequena empresa tem condições de contratar um coach, mas é importante buscar inspiração em leituras, vídeos, histórias de outros empresários, cursos. É necessário ter uma base conceitual e análise crítica, para saber como aquilo pode se aplicar a sua empresa."