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PIB do 2º trimestre veio com resultado pior do que o esperado

28 de agosto 2015 - 17h21 Por Do G1/Douranews
PIB do 2º trimestre veio com resultado pior do que o esperado

A queda de 1,9% do PIB brasileiro no 2º trimestre veio um pouco acima do esperado pelo mercado, indicando que a retração da economia ao término de 2015 poderá sair maior do que o projetado pelos economistas e analistas. Segundo a última pesquisa do Banco Central com mais de 100 bancos, o PIB deve cair  2,06% este ano.

Para economistas ouvidos, o ritmo de queda da economia deve ser menos intenso nos próximos trimestres, mas o país deverá continuar em recessão pelo menos até o 1º semestre de 2016, podendo ser a mais longa da história do país.

As dificuldades políticas e a falta de perspectiva para os investimentos são apontadas como os maiores obstáculos para a retomada do crescimento da economia.

Como principais destaques negativos do PIB do 2º trimestre foram apontados a queda de 8,1% dos investimentos (o oitava seguida) e o recuo de 2,1% do consumo das famílias. Em contrapartida, o consumo do governo registrou alta de 0,7%.

Nelson de Sousa, economista e professor de Finanças do Ibmec/RJ
“A queda de 1,9% do PIB é pesada e veio pior do que se imaginava, indicando que a retração no ano poderá ser ainda mais grave. O poço parece que ainda tem um pouco mais para ser afundado.

Não se vê uma reversão das expectativas, que no momento são sombrias. E as expectativas estão muito associadas ao problema político. Não há confiança de que a nova administração será capaz de levar a bom termo e dar sinalização de que quer dar confiabilidade e clareza para os negócios. 2016 deve ser menos pior que 2015, mas ainda não deveremos sair da recessão, a menos que surja um fato novo. Na minha opinião, se conseguirmos sair da recessão em 2017 já podemos nos dar por satisfeitos."

Silvia Matos, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV)
“Os números já apontavam que a recessão no 2º trimestre seria mais forte, mas vieram um pouquinho mais negativos. Mas não houve surpresa. Nossa percepção é que talvez possa haver uma revisão mais para baixo para o ano. Nós do Ibre projetamos uma queda de 2,6% do PIB em 2015.

O maior problema hoje é a dificuldade de fazer os gastos do governo caber no nosso PIB, que está fraco. Todo mundo contribuindo, apertando o cinto, e o governo com uma grande dificuldade de dar uma contribuição de fato no consumo dele.

Passar por recessão faz parte, porque estamos passando por um processo de ajuste. Mas a grande dificuldade é que não temos perspectiva de uma saída da recessão e clareza do que vai ser a economia no ano que vem e nos próximos anos diante de um governo politicamente fraco e com dificuldades de tocar uma agenda mais dura de ajustes."