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Analistas apontam que economia brasileira vai demorar para se recuperar

17 de outubro 2015 - 12h21 Por Do G1/Douranews
Analistas apontam que economia brasileira vai demorar para se recuperar

A economia brasileira vai demorar para sair do buraco. Segundo a percepção de economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central e analistas consultados pelo G1, as previsões que, no início de 2015, indicavam um ajuste mais rápido para controle da inflação, para as contas públicas e nível de atividade, agora mostram que esse processo deve demorar bem mais tempo – podendo abranger o segundo mandato inteiro da presidente Dilma Rousseff.

No início deste ano, o mercado financeiro estimava um dólar abaixo de R$ 3 até 2019, um Produto Interno Bruto (PIB) crescendo nos quatro anos do segundo mandato de Dilma, superávit primário das contas públicas (a economia feita para pagar juros da dívida) em todo este período, de 2015 a 2018, e inflação média (nos quatro anos de governo) abaixo de 6% – além de taxas de juros mais baixas.

Na semana passada, menos de dez meses depois, o mercado já vê o dólar acima de R$ 4 até 2019, o PIB médio negativo para o segundo mandato de Dilma, juros mais altos e inflação maior, acima, pela média, de 6,3% – com novo crescimento em relação aos quatro anos anteriores.

De modo geral, os analistas acreditam que a piora do quadro está relacionada, principalmente, com as dificuldades do governo em acertar as contas públicas, o que deve impactar, mais ainda, as taxas de emprego nos próximos anos.

Dificuldades
"Por mais que a economia internacional tenha contribuído para o quadro de dificuldades, a crise no Brasil é fundamentalmente interna e do setor público [contas em desordem]. O que mina a confiança dos agentes e causa instabilidade. Reverter esse quadro é crítico e está se mostrando muito demorado. Uma crise fiscal [das contas públicas] dessa magnitude, talvez você tenha um período longo [de recuperação] como a Europa teve. Em alguns países da Europa, você tem quatro ou cinco anos [para se recuperar]. Eu diria que, de certo modo, pode ser um segundo mandato inteiro [da presidente Dilma] de ajuste", avaliou o chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco.

Adriano Gomes, sócio-diretor da Méthode Consultoria e professor do Curso de Administração da ESPM, também acredita que o ajuste na economia poderá demandar todo o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

"É bem por aí. Na economia real, você tem quebra das empresas, falência grande, desemprego elevado e empresas com pedidos de recuperação judicial como nunca se viu. O ajuste fiscal está jogando a economia mais ainda na recessão. A CPMF (cujo retorno está sendo proposto pela equipe econômica) é um imposto perverso, cumulativo. Nasce no primeiro elo da cadeia e vai até o consumidor final", avaliou ele, que defendeu um corte maior nos gastos para equilibrar as contas públicas ao invés de alta de tributos.

Previsões para o PIB
Segundo pesquisa do BC com mais de 100 instituições financeiras, realizada na semana passada, o Produto Interno Bruto (PIB) terá dois anos de retração, em 2015 e 2016, de respectivamente, 2,97% e de 1,20% – algo que não ocorre desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1948.

A previsão é de um retorno ao campo positivo somente em 2017 (+1%), avançando para 2% de alta em 2018. Mesmo assim, no segundo mandato da presidente Dilma, ficaria negativo, pela média, em 0,29% – a pior marca desde o governo Collor, que registrou média negativa de 1,28% entre 1990 e 1992. No início deste ano, a estimativa era de um crescimento médio do PIB de 1,7% no segundo mandato de Dilma.

De 1985 a 1990, no governo Sarney, o PIB avançou, pela média, 4,3%. De 1990 a 1992, no governo Collor, recuou 1,28%. Entre 1992 e 1994, na gestão de Itamar Franco, teve expansão média de 5,3%. No primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, registrou crescimento de 3%. No segundo mandato de FHC, houve expansão de 2,3%.

No primeiro mandato do presidente Luiz inácio Lula da Silva, de 2003 a 2006, o PIB avançou 3,5% e, no seu segundo mandato (2007 a 2010), cresceu 4,6% - ainda pela média dos quatro anos. De 2011 a 2014, no primeiro mandato da presidente Dilma, foi registrado crescimento médio de 2,14%.

'Mãe' de todos os problemas
Segundo Adriano Gomes, a "mãe" dos problemas da economia brasileira é a gestão das contas públicas.

"Nós vemos uma queda constante do superávit primário nos últimos anos, até que se chegou ao desastre total com as tais pedaladas fiscais [nos dois últimos anos], que estão na ordem do dia. As agências de risco têm a mesma visão. Elas acompanham não só este indicador, mas também o aumento da dívida pública, chegando a um número que elas consideram crítico, na casa de 65% [para a dívida bruta]. Isso fez com que o país perdesse o grau de investimento", avaliou ele.

Desemprego subindo
Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria, a taxa de desemprego metropolitana medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que subiu para 7,6% em agosto deste ano, deve encerrar este ano em 8% e tende a continuar avançando em 2016. "É bem provável que se agrave no início de 2016. É possível que tenhjamos um quadro mais agravado pelo reajuste do salário mínimo [que acontecerá no início do ano que vem]", avaliou Castelo Branco.

Para Rodolfo Torelly, especialista no mercado de trabalho, deverão ser fechadas 1,38 milhão de vagas formais neste ano, no pior resultado da série histórica dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que começa em 1992. Até agosto deste ano, 572 mil vagas com carteira assinada foram fechadas. "O mercado de trabalho está refletindo o que a economia está mostrando. Acho que a gente não chegou no fundo do poço ainda. Todo mês a situação esta piorando", declarou. Para ele, a taxa de desemprego, medida pelo IBGE, certamente vai chegar a 10% em 2016.