Em seu discurso, o ministro Levy citou a "agenda de desenvolvimento", defendida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que patrocina o evento e que se posicionou contra o retorno da CPMF. O retorno do tributo é considerado fundamental pelo ministro da Fazenda para a estratégia de reequilíbrio das contas púbicas.
"Instrumentos mais fáceis foram esgotados. A gente tem de olhar o que tem de acertar para ampliar as vantagens que o Brasil tem. O Brasil esta enfrentando uma agenda de curto prazo, mas para voltar a crescer vai ter de enfrentar agenda de longo prazo. Temos de criar novos instrumentos para o financiamento da economia", declarou ele, citando a reforma do PIS/Pasep e do ICMS - tributo estadual.
O ministro Levy disse ainda que o Brasil está fazendo mudanças importantes na economia, estando inclusive a presidente da República pagando o preço pelas medidas já adotadas. "Para que a economia tenha realismo de preços, para que a gente possa estar vencendo o curto prazo e olhando para as coisas fundamentais. Essa agenda de desenvolvimento estrutural. Porque não foram feitas antes? Quando esta fazendo sol, é difícil se concentar pra consertar o telhado", explicou ele.
Joaquim Levy disse ainda ter "absoluta confiança" que o Brasil etm as condições politicas de fazer as reformas necessárias e botar o país em um novo patamar de dseenvolvimento, de direitos, de efiência.
"Tenho certeza que cada um dentro de sua empresa, procura exatamente isso. Temos o compromisso de não pensar tentar resolver tudo apenas com a carga fiscal. Mas temos a coragem de, no curto prazo, estarmos dispostos a enfrentar o ônus politico de mais receita [alta de tributos]. Esse é o primeiro passo para termos a retomada da economia.
O mais improtnate é termos união para todos juntos realizarmos os sonhos do Brasil, que estão ao nosso alcance", concluiu.

O ex-presidente do BC, Henrique Meirelles
Henrique Meirelles
Falando logo em seguida de Joaquim Levy, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou não ter dúvidas de que a tributação no Brasil é elevada, equivalente a alguns países amadurecidos e ricos, como a Bélgica. Ele observou que a Bélgica não cresce muito, mas que sua população também não tem a mesma taxa de aumento do Brasil, e que a renda daquele país já é mais elevada. "Não é o caso do Brasil", disse, acrescentando que a Argentina, por sua vez, tem um nível de impostos mais alto do que a economia brasileira.
"O senhor está discutindo se dá ou não dá para aumentar imposto A ou B? Não. Estou dizendo que temos de levar em conta que o nível de tributação no Brasil é elevado. Como se resolve a questão fiscal? Vamos ter de enfrentar isso com o corte das despesas publicas. Evidentemente que existe uma questão politica, sobre a viabilidade da questão politica. Se olharmos em um prazo mais longo, vamos ter de enfrentar essa questão de frente. Trabalhar com vinculações constitucionais. A boa noticia é que já se enfrentou questões difíceis no passado", declarou Meirelles.
Em sua visão, é preciso olhar um pouco o Brasil não só no curto prazo, mas também o que precisamos fazer para o brasil de fato voltar a crescer e, mais do que isso, assegurar um crescimento sustentável nas próximas décadas. "o que precisamos construir são cenários e bases para um crescimento de longo prazo", declarou.
Henrique Meirelles observou que os números do mercado financeiro apontam para um cenário recessivo para a economia brasileira, com recuo do PIB neste ano e em 2016, e acrescentou que isso pode influenciar decisões estratégicas de longo prazo das empresas.
"Nesse clima de catástrofe, esquecem que isso não é o fim do mundo. A economia brasileira está hoje muito mais forte do que há 20 anos. O mercado de consumo oferece escala e já e comparado a países maiores, como França e Italia. Não somos mais aquele país nos quais os investimentos eram considerados oportunistas. Entravam e saiam conforme a expectativa para três anos. Os investimentos [no Brasil] são enormes e importantes para as companhias. O Brasil hoje é um país com estrutura econômica mais forte", declarou Meirelles.