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Economia

Moka diz que Brasil afrouxa leis ao repatriar 'dinheiro sujo'

16 de dezembro 2015 - 17h29 Por Redação Douranews
Moka diz que Brasil afrouxa leis ao repatriar 'dinheiro sujo'

O Plenário do Senado aprovou, terça-feira (15), projeto que regulariza recursos mantidos no exterior e não declarados à Receita Federal. A matéria vai à sanção presidencial. O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) manifestou-se contrário à proposta, argumentando que a medida vai regularizar dinheiro sujo, enviado para fora do país. “Não posso aceitar o que está no texto. Estamos legalizando um monte de coisas irregulares”, declarou.

Moka explica que o projeto colocará o Brasil na condição de país cujas leis serão similares às dos paraísos fiscais. “Estamos afrouxando nossas leis e nos tornando um país que aceita receber qualquer recurso, como aqueles oriundos da corrupção”, criticou.

A previsão do governo é arrecadar entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões com a repatriação de ativos no exterior, uma medida do pacote fiscal para aumentar a receita. O montante arrecadado será destinado ao Tesouro Nacional para repasse posterior a estados e municípios.

Ativos

O patrimônio que poderá ser declarado abrange depósitos mantidos em contas no exterior, investimentos, empréstimos, pensões, ações, imóveis, carros, aviões e barcos particulares, ainda que estes três últimos estejam em alienação fiduciária. Também entram no regime obras de artes, antiguidades, jóias e rebanho animal.

O único tributo previsto sobre os bens é o Imposto de Renda, com alíquota de 15%, mais uma multa de igual percentual, totalizando 30%. Quem regularizar o patrimônio até então não declarado fica isento de todos os demais tributos federais e penalidades aplicáveis por outros órgãos regulatórios que poderiam ter incidido sobre os fatos geradores relacionados a esse bens, se ocorridos até 31 de dezembro de 2014.

Valores disponíveis em contas no exterior até o limite de R$ 10 mil por pessoa, convertidos em dólar, estarão isentos da multa. Os valores consolidados serão convertidos em dólar e depois convertidos em real pela cotação de 31 de dezembro de 2014, de R$ 2,65.

Críticas

Mesmo aprovado, o texto enviado pelo Executivo e modificado na Câmara dos Deputados foi bastante criticado pelos senadores de oposição e da própria base do governo. A proposta chegou a ser classificada por alguns parlamentares de “imoral” e “coisa de bandido”, por incluir a possibilidade de anistia para crimes como descaminho, falsificação de documento público e facilitação da lavagem de dinheiro. Mas obteve a maioria dos votos: 41 a 27.