Após abrir os negócios em alta, o dólar passou a operar em queda nesta terça-feira (5), ainda assim acima de R$ 4, como ocorreu na véspera, quando a moeda operou no mesmo patamar durante todo o dia e fechou em alta de mais de 2%. De acordo com a agência Reuters, há um movimento de ajuste após o mercado ter buscado ativos considerados mais seguros como o dólar na segunda-feira, com preocupações em relação à economia da China e consequências para a atividade global. Devido às tensões econômicas e políticas, no Brasil, a variação da moeda é mais acentuada.
Às 10h29, a moeda norte-americana recuava 0,48%, a R$ 4,0143 para venda.
As ações asiáticas fecharam em queda em pregão agitado nesta terça-feira, lideradas pelas ações chinesas, após o tombo de 7% dos papéis chineses na véspera. Mas a queda de hoje foi menor - 0,26% no índice de Xangai e 0,44% no índice MSCI .
O mercado se acalmou após medidas emergenciais adotadas pelo governo chinês. O Banco Popular da China, por exemplo, injetou quase US$ 20 bilhões nos mercados, a maior atuação desde setembro de 2015.
Véspera
Na véspera, a moeda norte-americana subiu 2,18%, a R$ 4,0339 para venda. Foi o maior valor desde setembro de 2015, quando, no dia 29, a moeda fechou cotada a R$ 4,0591. Também foi o maior ganho diário desde outubro, quando, no dia 13, o dólar subiu 3,58%.
A forte alta do dólar comercial na véspera refletiu na cotação nas casas de câmbio, que vendem o dólar turismo, valor que é sempre maior que o divulgado no câmbio comercial. Na tarde de segunda-feira, o dólar turismo se aproximou de R$ 4,50.
Cenário interno
No Brasil, o pessimismo com o cenário político ajuda a acentuar as altas, com o recesso no Congresso Nacional adiando a decisão de medidas importantes para a busca do equilíbrio fiscal do país.
Entre as medidas a serem analisadas está a retomada da CPMF, prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016.
Ela é necessária, nos cálculos do governo, para fechar o ano com a meta de superávit primário (a economia feita para o pagar os juros da dívida) para o setor público consolidado equivalente a 0,5% do PIB.