O dólar opera em queda nesta sexta-feira (22), com a recuperação dos preços do petróleo e a expectativas de novos estímulos econômicos na zona do euro, após ter fechado na véspera a R$ 4,16, na maior cotação da história do real.
Às 14h, a moeda norte-americana recuava 1,27%, a R$ 4,1125 na venda.
"Bolsas, moedas e commodities se recuperam na última sessão da semana", escreveram analistas da corretora Guide Investimentos em nota a clientes, segundo a agência Reuters.
"Ainda que não acreditemos que se trata de um alívio duradouro, deve ser capaz de encerrar melhor a semana, que continuou apresentando elevada volatilidade dos ativos de risco".
Os preços do petróleo subiam cerca de 5% nesta sessão, com uma frente fria nos Estados Unidos e na Europa alimentando expectativas de maior demanda. A commodity vem renovando nas últimas sessões as mínimas em 13 anos, pressionando a demanda por ativos de maior risco e de moedas ligadas a commodities.
A recuperação do bom humor nos mercados globais vinha também após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmar que o banco vai revisar sua política monetária em março, alimentando expectativas de mais estímulos.
No entanto, operadores não descartavam uma reversão do bom humor, especialmente levando em conta a fragilidade das perspectivas brasileiras. A controversa decisão do Banco Central de manter os juros básicos nesta semana desencadeou forte pressão sobre os ativos brasileiros e deve manter elevada a volatilidade no mercado local.
"Não dá para virar a página e começar do zero, o mercado ainda está muito desconfortável com toda a incerteza que veio com a decisão do BC", disse o operador de uma corretora nacional.
O BC brasileiro realizou nesta manhã mais um leilão de rolagem dos swaps cambiais que vencem em 1º de fevereiro, vendendo a oferta total de até 11,6 mil contratos. Até o momento, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 8,448 bilhões, ou cerca de 81% do lote total, que corresponde a US$ 10,431 bilhões.
Véspera
Na véspera, o dólar fechou em alta, acima de R$ 4,16 na maior cotação da história do real, após a decisão do Copom de manter os juros em 14,25% ao ano.
A moeda norte-americana subiu 1,47%, vendida a R$ 4,1655. Este foi o maior valor de fechamento da história. Antes, o recorde havia sido de R$ 4,1461, em 23 de setembro de 2015.
Na máxima da sessão, o dólar chegou a ser cotado a R$ 4,1737. No ano, a moeda já subiu 5,51%. Nesta semana, a alta acumulada é de 2,96%.