Indústria contabiliza sequência de números baixos e começa 2016 sem vontade de investir — Foto: Divulgação/Assessoria
Após quatro meses de relativa estabilidade, a atividade industrial em Mato Grosso do Sul apresentou forte queda em dezembro de 2015, conforme a Sondagem Industrial realizada em outubro pelo Radar Industrial da Fiems junto às empresas sul-mato-grossenses. “O índice referente à produção fechou o mês marcando 33,2 pontos, recuo de 8,8 pontos em relação a novembro e de 9,8 pontos sobre o mesmo mês de 2014. Os dados sugerem um movimento que foi além da sazonalidade típica para o período”, analisou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende.
Ainda de acordo com a Sondagem Industrial, 56,6% do setor considera que a produção em dezembro foi menor, quando comparada com mês de novembro. Além disso, para 61,3%, a utilização da capacidade instalada ficou abaixo do usual para o mês. “O índice marcou 32,8 pontos em dezembro, queda de 5,7 pontos no comparativo com igual mês de 2014, mantendo o resultado muito abaixo do patamar considerado adequado para o período, que é alcançado quando o indicador se situa em torno dos 50 pontos. Por fim, a ociosidade média no mês de dezembro foi de 38%”, pontuou Ezequiel Resende.
Ele acrescenta que os empresários da indústria estadual não acreditam em melhoras significativas em relação à demanda por seus produtos, quantidade exportada, número de empregados e compras de matérias-primas nos próximos seis meses. “Com exceção da quantidade exportada, os índices que medem a expectativa em relação à demanda por seus produtos, número de empregados e compras de matérias-primas ficaram, mais uma vez, abaixo dos 50 pontos”, afirmou.
Insatisfação
De um modo geral, os empresários industriais se mostraram insatisfeitos com a margem de lucro operacional das empresas no quarto trimestre de 2015, com o indicador alcançando 34,1 pontos. Comportamento semelhante foi verificado em relação às condições de acesso ao crédito e situação financeira geral da empresa, quando os indicadores alcançaram os 30,7 e 35,8 pontos, respectivamente. “Vale ressaltar que valores abaixo de 50 pontos indicam insatisfação dos empresários em relação aos itens pesquisados”, destacou Ezequiel Resende.
A Sondagem Industrial apontou que, em Mato Grosso do Sul, 64,3% dos empresários industriais consideraram ruim a margem de lucro operacional obtida no quarto trimestre de 2015. “Na mesma comparação, o acesso ao crédito foi considerado difícil por 66,7% dos empresários, enquanto a situação financeira geral da empresa foi considerada ruim por 56,8%. Por fim, 76,8% responderam que houve aumento dos preços das matérias-primas utilizadas”, afirmou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.
O levantamento também demonstrou que a elevada carga tributária, falta ou alto custo de energia, demanda interna insuficiente, falta de capital de giro e taxa de juros elevadas foram os principais problemas apontados pelos industriais sul-mato-grossenses no quarto trimestre do ano. “Ainda chamaram a atenção a falta ou alto custo da matéria-prima e a inadimplência dos clientes”, reforçou Ezequiel Resende.
Pessimismo
O ano de 2016 também começa com o ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) entre os mais baixos da série histórica em Mato Grosso do Sul. “Janeiro marca o 18º mês consecutivo com o índice inferior aos 50 pontos, atingindo 34 pontos. O resultado permanece abaixo da linha divisória dos 50 pontos, principalmente, pelo pessimismo apresentado em relação às atuais condições da economia brasileira, sendo a variável de pior desempenho, marcando somente 16,8 pontos”, detalhou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.
Pelo levantamento feito, 93,2% dos empresários da área dizem que as condições atuais da economia brasileira pioraram, enquanto no caso da economia estadual, na mesma comparação, a piora foi apontada por 81,4% dos participantes. Com relação à própria empresa, as condições atuais estão piores para 65,9%, enquanto para 31,8% elas não se alteraram. Para os próximos seis meses, 66,6% continua demonstrando pessimismo em relação à economia brasileira, enquanto no caso da economia estadual o pessimismo foi apontado por 59,1% dos participantes da pesquisa.
76% dos empresários industriais do Estado responderam, ainda, que não pretendem fazer investimentos novos nos próximos seis meses.