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PREÇOS

Cesta básica cai em Dourados

Trabalhador precisou de menos tempo para comprar alimentos

09 de dezembro 2021 - 08h51 Por Redação Douranews
Cesta básica cai em Dourados Regra de ouro para economizar é continuar pesquisando antes de comprar — Divulgação

O valor da Cesta Básica de alimentos apresentou uma aqueda de – 4,50% no mês de novembro deste ano, comparado com o levantamento realizado em outubro. É o que constata a pesquisa desenvolvida pelo Projeto de Extensão Índice da Cesta Básica do Município de Dourados, do curso de Ciências Econômicas da Face, a Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia da Universidade Federal da Grande Dourados, realizada na última semana do mês passado e primeira deste mês.

Comparado com a capital Campo Grande, onde o preço dos produtos que compõem a cesta básica foi de R$ 645,17, a Cesta douradense foi menor (601,70) e ainda superou aos preços praticados em nove capitais estaduais do país: Goiânia, Belo Horizonte, Fortaleza, Belém, Recife, Natal, João Pessoa, Salvador e Aracajú, segundo o Dieese (o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

Os preços da cesta básica de outubro com os itens básicos (açúcar, arroz, banana, batata, café, carne, farinha de trigo, feijão, leite, margarina, óleo de soja, pão francês e tomate) ficaram em R$ 630,06, o que significa 57,27% do salário mínimo, estipulado em R$ 1.100. E no mês de novembro o trabalhador douradense teve que destinar uma quantia menor a isso para a compra dos produtos componentes da cesta: 54,70% do salário mínimo regional.

No âmbito nacional, o maior preço da Cesta em novembro foi registrado em Florianópolis, com R$ 710,53; seguida por São Paulo com R$ 692,27 e a terceira capital com maior preço foi Porto Alegre com R$ 685,32. Já os menores preços foram encontrados na capital da Paraíba, João Pessoa, com R$ 508,91; em Salvador, com R$ 505,94 e o menor índice do País, registrado em Aracaju, com R$ 473,26. Em 9 das 17 capitais do país onde são realizadas a pesquisa, conforme constata o Dieese, houve aumento de preços.

“Observamos que os menores preços foram praticados nas capitais da Região Nordeste do país, fato este que se repete desde o início da pesquisa. O resultado dos preços da Cesta Básica é um indicador muito importante para toda a economia brasileira, já que reflete a situação dos preços no setor de alimentos e que repercute no comportamento das outras variáveis que compõem o Índice Geral de Preços como moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência”, observa o coordenador da pesquisa, professor Enrique Duarte Romero.      

De janeiro a novembro deste ano, conforme o levantamento, os produtos que mais aumentaram de preços foram o café com 62,64%; o açúcar com 56,05%; e a margarina com 32,53%, enquanto no mesmo intervalo os produtos que tiveram queda de preços foram a batata com 34,68%; o arroz com 16,50% de queda e o feijão com uma diminuição de 8,10% no período mencionado.    

Ainda assim, conforme o levantamento coordenado pela equipe da Face da UFGD, dos 13 produtos que compõem a Cesta Básica, sete apresentaram aumento de preços no mês de novembro em Dourados, a começar pelo café com o maior aumento, chegando a 19,65%. Outros produtos que aumentaram de preços no mês foram a banana, com 9,08%; o óleo de soja com 8,30%; a farinha de trigo com 5,88% de aumento. Incluem-se, ainda, o açúcar com 2,37% de aumento; a margarina com 1,94% e com uma pequena elevação de preços o arroz, com 1,31%.  

No período pesquisado, seis produtos registraram queda de preços, comparado com o mês de outubro: o tomate com a maior queda de preços que chegou a 24,61%; a batata com 16,47%, o feijão com uma queda de 8,27%; o leite que fechou com 5,39% de queda de preços e até a carne, com 1,66% de queda e com uma pequena diminuição de preços o pão francês, com 0,73%.

Romero avalia que a redução de preços dos componentes tomate, batata, carne e pão francês ajudaram a reduzir o custo da Cesta Básica do mês de novembro, inclusive porque a soma desses quatro itens representou 71,47 %, mas, alerta para a necessidade do consumidor continuar pesquisando sempre antes de comprar. A diferença de preços entre o supermercado que praticou o preço mais elevado da cidade (R$ 655,36) para o menor (541,66) representa um ganho de R$ 113,70, ou seja, 20,99% menor, “que compensa o sacrifício de percorrer vários estabelecimentos”, diz o professor.

“Outra sugestão que fazemos é a de verificar também os levantamentos realizados pelo Procon do município, com o método que facilita ainda mais a comparação dos preços praticados por cada estabelecimento, porque apresentam os nomes de cada estabelecimento e os respectivos preços de cada produto”, opina o pesquisador.

O ideal nacional

Conforme o Dieese, e levando em consideração a determinação da Constituição nacional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir as despesas do trabalhador brasileiro e da família (dois adultos e duas crianças) com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o valor do salário mínimo em outubro deveria equivaler a R$ 5.886,50, isso significa 5,35 vezes mais do que o mínimo vigente de R$ 1.100. E, para novembro, esse aumentou para 5.969,17, ou 5,42 vezes mais que o salário mínimo atual.   

Pela Constituição, o trabalhador brasileiro deve trabalhar 220 horas mensais. Com isso, no mês de outubro um trabalhador douradense tinha que trabalhar 126 horas e 1 minuto para pagar a cesta básica. E no mês seguinte, novembro de 2021, este mesmo trabalhador precisou de um tempo menor para comprar alimentos: 120 horas e 20 minutos.