Há 20 anos, os biquínis e maiôs da Kibela nascem entre tecidos e moldes que conhecem a fundo o corpo brasileiro. Com unidades em Campo Grande, Dourados, Cuiabá e Sinop, a marca sul-mato-grossense possui fabricação própria e agora mira além das fronteiras nacionais. Para expandir com segurança rumo ao mercado internacional, os sócios Irlanda Cabral e Antônio Morgado ingressaram no programa “Sebrae Internacionaliza”, iniciativa do Sebrae/MS em parceria com a ApexBrasil.
“Nós temos oito lojas e nossa capacidade produtiva vai além delas, então, temos condições de atender outros mercados. Percebemos que o maior desafio é conseguir encontrar esse cliente lá fora, aí entra o Sebrae com a ApexBrasil, que está nos ajudando no processo”, afirmou Irlanda.
Comportamento empreendedor, design de comunicação, atendimento ao cliente e registro de marca foram alguns temas estudados pelos empresários com suporte do Sebrae. Atualmente, o negócio está na fase da elaboração do plano de trabalho e o Paraguai é o mercado escolhido como alvo para a futura exportação.
“Além da capacidade produtiva, buscamos levar características regionais para os nossos produtos, incorporando referências de Mato Grosso do Sul e do Pantanal às estampas e peças”, complementou Irlanda.
Na Jaca com farofas de diferentes sabores
Outro negócio acompanhado pelo “Sebrae Internacionaliza” é o Na Jaca, empresa liderada por Flávia da Silva Candelário que produz farofas artesanais em diversos sabores e já soma seis anos no segmento. A produção nasceu da experiência de um restaurante mantido pela empresária, onde a farofa era servida no buffet até se tornar item vendido separadamente aos clientes. Em 2020, o restaurante foi encerrado e o negócio passou a se dedicar exclusivamente às farofas. Hoje, os produtos chegam a outros estados, como Mato Grosso, São Paulo e Paraná, e Flávia enxerga potencial para conquistar consumidores no exterior.
“Nosso maior desafio é entender como funciona o mercado internacional e todo o trâmite para conseguir chegar até um comprador de fora do país. A gente já percebe que o produto tem potencial, porque vendemos para outros estados e temos clientes que levam nossas farofas para países como Portugal, Estados Unidos e até o Vietnã", disse a empresária.
"O Sebrae tem sido fundamental nesse processo, trazendo treinamentos e orientações sobre a parte burocrática, aduaneira e as adequações necessárias, inclusive em relação à embalagem, esse conhecimento está nos ajudando a entender o que precisa ser feito para dar os próximos passos”, pontuou Flávia.
Conhecimento para ir mais longe
Para ajudar os empresários sul-mato-grossenses a alcançarem o mercado internacional, o “Sebrae Internacionaliza” traz uma jornada personalizada durante três meses. As quatro primeiras etapas do processo consistem no Programa de Qualificação para a Exportação (PEIEX), executado em parceria com a ApexBrasil, que oferece capacitações em temas relacionados ao comércio exterior para que o empresário dê o próximo passo. Já as duas etapas finais consistem na aceleração e promoção comercial, quando o negócio passa a executar o plano de exportação recebido e acessar novos mercados.
Ao todo, 15 empresas já concluíram o processo e 46 estão em atendimento em Mato Grosso do Sul. Segundo a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, esse acompanhamento é importante para que os empresários possam aproveitar as oportunidades.
“Com a Rota Bioceânica já sendo uma realidade, é fundamental que esses pequenos negócios se preparem. O programa oferece qualificação e traz um plano de exportação personalizado para que a empresa possa se tornar mais competitiva e alcançar o comércio exterior”, expôs Sandra Amarilha.
O acompanhamento ao empresário é feito por meio de consultoria individual e palestras complementares. No dia 17 deste mês, por exemplo, o tema abordado com o grupo foi “De MS para o mundo: Os erros que impedem pequenas empresas de conquistar mercados internacionais”. A palestra foi ministrada no auditório do Sebrae/MS pelos representantes da ApexBrasil Cintia Faleiro e Bruno Melo.
Situações recorrentes enfrentadas por empresas que buscam iniciar operações no exterior foram apresentadas ao público como forma de ajudar os empreendedores a superar esses desafios. Entre os temas abordados estiveram erros relacionados à documentação e aos processos de exportação, questões culturais e de relacionamento com compradores internacionais, além de aspectos relacionados à formação de preços, logística e preparação da empresa.
“Mostramos aos empresários de Mato Grosso do Sul os principais erros cometidos por pequenas empresas que desejam chegar ao mercado internacional. A abordagem reuniu cerca de 12 a 14 situações identificadas a partir da experiência da ApexBrasil no atendimento às empresas, com o objetivo de atuar de forma preventiva e contribuir para que os empreendedores estejam mais preparados e seguros para ingressar no mercado externo”, explicou a representante Regional Centro-Oeste da ApexBrasil, Cintia Faleiro.
Integração para fortalecer a exportação
Além do Sebrae/MS e da ApexBrasil, outras instituições que atuam para ampliar a presença de Mato Grosso do Sul no comércio exterior iniciaram um trabalho conjunto. O grupo compõe o Comitê Consultivo do PEIEX no Estado e realizou a primeira reunião no dia 17 deste mês.
Com a participação de representantes de instituições públicas e privadas, entidades empresariais, instituições de ensino e pesquisa, o colegiado pretende alinhar as demandas regionais às estratégias de exportação, acompanhar as ações do programa e discutir soluções para os desafios enfrentados pelas empresas.
A atuação ganha relevância em um Estado onde os pequenos negócios representam a maior parte do ecossistema empresarial. De um total de mais de 380 mil empresas ativas em Mato Grosso do Sul, mais de 339 mil são micro ou pequenas empresas, o equivalente a 89%. Nesse cenário, preparar empreendedores para acessar novos mercados significa também ampliar as possibilidades de crescimento e geração de negócios para a economia estadual.
Compõem o Comitê Consultivo do PEIEX em Mato Grosso do Sul as seguintes instituições: Semadesc; Fundect; Fiems; Sistema Fecomércio; AMEMS; Comissão de Direito Econômico e Comércio Exterior da OAB/MS; Secretaria da Receita Federal do Brasil; Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; Corporação Regional de Desenvolvimento de Tarapacá; Banco do Brasil; Caixa Econômica Federal; UEMS; UCDB; UFMS; Femedi; BPW; e OCB/MS.


Sandra Amarilha, do Sebrae-MS, ajudando a abrir fronteiras - (Foto: Divulgação)




