Ensino, pesquisa e extensão voltados para a saúde, tanto para o conhecimento de acadêmicos quanto para o atendimento da população. Assim são os Hospitais Universitários (HU´s) brasileiros, os chamados hospitais-escola em que boa parte dos recursos vem do governo federal, especificamente de três ministérios: o da Educação, o da Saúde e o da Ciência e Tecnologia, em que as tarefas de seu corpo clínico são voltadas para o atendimento 100% SUS, ou seja, totalmente público e gratuito.
Assim é aqui, o HU com gestão da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD desde 2009, é um hospital de ensino, que tem compromisso de atendimento e do cumprimento do ensino. A idéia de ensino, a princípio, segundo o neurologista pediátrico e neurofisiologista Emerson Henklain Ferruzi, atualmente diretor de ensino do hospital, apavora um pouco principalmente a população, porque ele acha que vai ser usada para aprender.
Mas, na verdade, não é isto que acontece. O médico explica que o paciente é visto, por quatro pessoas, dos quais dois ou três têm uma formação muito superior à maioria. O caso é apresentado, discutido, e o paciente revisto várias vezes pela mesma equipe ou por equipes diferentes. Sendo que as avaliações de tratamento e as atualizações de pesquisa da doença são maiores e o paciente acaba tendo uma investigação clínica maior, ou seja, uma conduta terapêutica e medicamentosa mais adequada ou mais atualizada.
Outra vantagem do hospital-escola é a prática dos alunos que vêm das universidades fundamentadas na teoria. Dr. Emerson Ferruzi conta que a partir do 5º ano, por exemplo, acadêmicos de Medicina fazem o internato no HU iniciado com uma série de atividades práticas dentro do hospital, sob supervisão do residente, do médico e do professor. “Com três pessoas olhando por ele, o aluno começa a ter contato com o paciente. Então, ele começa a atender o paciente, discutir o paciente”.
Para ele, a prática é interessante porque essas pessoas acabaram de sair de um livro, estão lendo, leram bastante para ter um contato com o paciente e que, dali a um ano e meio ou dois, já estarão atendendo esses pacientes em outros lugares. O médico destaca que além de ser supervisionado por pelo menos duas ou três pessoas, o aluno não toma conduta, não põe a mão no paciente sem ter supervisão. Prática que é regra nos hospitais no Brasil ou qualquer lugar do mundo. “O aluno não tem CRM, não tem liberação para fazer procedimentos”.
Atualmente, 100% do internato de estudantes de Medicina é feito no HU. O internato é um estágio curricular supervisionado obrigatório para os estudantes e é considerado um avanço e sinal de qualidade na oferta do ensino e da assistência prestada à população. “Com o HU sendo hospital-escola, a rede pública de saúde de Dourados e região começa a ter uma mesma linha de pensamento, pois estudantes estão atuando em várias áreas da saúde pública e nos diversos níveis de atenção”, finalizou o médico.