Além dos móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, carro zero, viagem de avião, casa própria, o aumento do poder aquisitivo, finalmente, proporciona às famílias da classe C a possibilidade de investir em um dos maiores bens: o ensino de qualidade para os filhos.
O diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo, Antonio Francisco dos Santos, diz que 90% das escolas particulares da região afirmam que, neste ano, houve um aumento no número de alunos dessa faixa econômica. A maioria das crianças era de escolas estaduais, segundo Santos.
“A melhora financeira fez a classe C investir na educação. É a realização de um sonho e uma prioridade porque, infelizmente, o ensino nas escolas públicas está cada vez pior”, avalia o diretor do sindicato.
Além de confirmar o crescimento no número de alunos da classe C, a coordenadora de uma escola particular de Campinas, Marcia Regina Trevisan Corrêa, fornece um dado preocupante: muitos alunos que migram da escola estadual têm, em média, nove anos, já estão no ensino fundamental e ainda não sabem ler e escrever corretamente.
“Por causa da deficiência do ensino público, os pais aproveitam a melhora da condição financeira para pagar, mesmo com sacrifício, a escola particular para os filhos”, diz Márcia.
O vendedor Odenir Melo, de 45 anos, conseguiu este ano, pela primeira vez, matricular um dos cinco filhos na escola particular. “A educação é essencial. Mesmo com sacrifício, vale a pena.”