A polêmica sobre o uso informal da língua já havia sido discutida na UEMS, no final de maio, quando o prof. Dr. Valdir Flores defendeu que não há certo e errado em linguística, mas sim o que é adequado ou não adequado, dependendo de cada contexto.
“Muitas vezes nós (professores de português) somos os únicos na escola que não falamos sobre a realidade. Ficamos só falando sobre como deveria ser (a língua) e deixamos de refletir sobre como ela é realmente”, afirmou, na ocasião, o pós-doutor. Flores rebateu ainda a crítica de que a escola deva ensinar somente o uso formal da língua, já que o "errado" (informal), os alunos já utilizam naturalmente em seu cotidiano.Para ele, a escola tem que estimular os alunos a refletirem suas realidades, ao mesmo tempo em que desenvolvam subsídios para se posicionarem criticamente diante dela. “A língua é um todo vivo que vai se transformando com o uso de cada falante”, disse Flores que é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e estava na UEMS para ministrar uma disciplina no doutorado interinstitucional em Letras oferecido em parceria entre as duas instituições.
A polêmica
O livro didático provocou ampla discussão por contemplar frases com erro de concordância em uma lição que apresenta a diferença entre a norma culta e a falada. A autora da obra defende que os alunos até podem falar de "jeito errado", mas devem atentar para o uso da norma culta, que precisa ser dominada.
"Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar os livro?'. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico", diz um trecho da obra.