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Educação

‘Universidade é uma instituição social; um direito e não um privilégio’, diz reitora da UFMT

21 de setembro 2011 - 10h25 Por Redação Douranews, com Assessoria
‘Universidade é uma instituição social; um direito e não um privilégio’, diz reitora da UFMT
Maria Lúcia foi a primeira palestrante. Seminário 'O futuro da UFGD em debate' continua nesta terça-feira, 14h.

A primeira palestrante do seminário ‘O futuro da UFGD em debate’, que está sendo promovido pela reitoria sobre o Programa de Expansão Acadêmica da UFGD 2011-2020, professora doutora Maria Lúcia Cavali Neder, reitora da Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT, fez uma explanação da sua vivência de 39 anos dentro de uma universidade pública federal a todos os presentes na manhã desta terça-feira (20), no Auditório da Unidade 2.
Maria Lúcia falou para estudantes, técnicos-administrativos e docentes que é possível pensar em novas concepções curriculares, administrativas e de relacionamento dentro das universidades, aproveitamento este momento em que se discute, em nível nacional, a expansão das Ifes.
Apesar de ser um longo caminho a ser percorrido, a reitora acredita que a universidade é uma instituição social que não está desvinculada do processo sócio-econômico e suas contradições e que deve estar comprometida politicamente como uma instituição feita para a sociedade e para o país. “A educação sempre será um investimento, um direito e não um privilégio. E a universidade hoje deve formar para o trabalho técnico-científico, pensando também no cidadão crítico e nas políticas sociais”.
Cultura e ética
Inovação vinculada às dimensões culturais e éticas. Para a reitora, as dimensões culturais que um estudante tem, por exemplo, oriundas de sua base familiar, faz toda diferença no processo de ensino aprendizagem e que essa questão deve ser encarada pelas escolas e principalmente pelas universidades.
“Faz diferença dentro de sala de aula um estudante que tem acesso a bens culturais, que possui uma formação ampla. E hoje, há uma nova configuração econômica e social e por isso a necessidade de repensar o processo de formação. Devemos pensar que também há uma base cultural colonialista e escravista que impulsiona o estudante para a obediência na formação recebida pela família, com perfil de nunca contestar e propor. E a própria escola também limita possibilidades de se expressar. Então há um modelo de organização a ser questionado ”.
Por isso, para a reitora, a necessidade de constante formação de professores e a reflexão de paradigmas que pensam o estudante de uma determinada forma.
Os paradigmas
A reitora citou dois paradigmas do mundo acadêmico hoje colocados para a comunidade como forma de repensar a atuação das universidades, principalmente dos docentes na relação professor/aluno. Um deles é o cartesiano que fragmenta o todo e hiperespecializa o currículo, com aumento de disciplinas, muitas vezes, desconexas, sem planejamento coletivo.
“É uma relação lógica de disjunção que causa um sistema fechado de ensino, a hierarquização do conhecimento, a separação da teoria e prática. O currículo deve vivenciar a relação entre professores e estudantes”, disse a reitora.
Conforme Maria Lúcia, o paradigma da complexidade é o que deverá ser trabalhado pelas universidades, que compreende que a totalidade é indivisível, que o conhecimento é baseado no real e que o pensamento está em constante transformação.
“Nessa lógica, tudo é tecido junto, o modelo de relação é de troca, de intersubjetividade. E a expansão deverá pensar nessas novas concepções, no processo de comunicação voltado para um aluno sujeito ativo, repensar o tempo e o espaço escolar, reorganizar a grade curricular pensando na compreensão subjetiva do estudante, tendo a avaliação como processo contínuo e conseqüente. O currículo é um terreno fértil para formar estudantes para uma atuação crítica, democrática e inclusiva”.