Tetila, que também é professor, cumprimentou os mais novos colegas e os parabenizou pelo empenho, determinação e força de vontade. “Hoje vocês mostraram mais uma vez que não é o a cor da pele, a etnia ou a classe social que dizem algo à respeito de uma pessoa. São as oportunidades. Vocês estão de parabéns pelo belíssimo exemplo que deixaram para o nosso país, já que são a primeira turma formada nessa modalidade de ensino no país”, declarou Tetila.
“Agradeço os deputados estaduais, federais e o senador Delcidio do Amaral que nos deram a oportunidade de fazermos esse curso diferenciado. Não posso deixar de lembrar do ex-presidente Lula, que abriu as portas para que as ditas minorias sociais pudessem ter acesso à educação e à permanência no Ensino Superior”, lembrou Theodora de Souza, do movimento dos professores Guarani e Kaiowá que ajudou na implantação do curso.
Já o vereador Otoniel Ricardo de Caarapó, acostumado à grandes eventos políticos, estava emocionado, afinal, era sua formatura. Ele já dava aulas desde 1999, quando nem era vereador ainda, mas, em 2006 passou no vestibular e começou a graduação. “Foi diferente, porque aquilo que aprendemos na faculdade, levávamos para sala de aula. Agora não quero parar, vou fazer uma pós-graduação e mais para frente Antropologia ou Direito”, comentou orgulhoso do próprio esforço.
A oradora Valdelice Verón, filha do cacique assassinado em disputa por terras tradicionais no Estado, Marcos Verón, lembrou dos que se foram. “Nossa formatura é uma homenagem à todos que tombaram na luta pela terra e aos professores”, declarou.
O curso começou a funcionar em 2006, com a implantação da Universidade e foi resultado de uma parceria com a Universidade Católica Dom Bosco, Funai, Secretarias Municipais de Educação e Secretaria de Estado de Educação. Organizações Guarani e Kaiowá auxiliaram no processo de formação.
Essa primeira turma leva o nome do professor doutor da UFGD, Renato Gomes Nogueira, um dos grandes incentivadores da implantação do curso em Dourados, falecido em um acidente automobilístico na BR 163, ocorrido em 2006.
Os patronos da turma são Dona Tereza Espíndola, liderança indígena e o professor doutor Damião Duque de Farias, reitor da UFGD. Os paraninfos são Nelson Batista, liderança indígena e o professor doutor Levi Marques Pereira.
Atualmente, há cerca de 23 turmas de Licenciaturas Interculturais em todo o Brasil. Em Dourados, a Teko Arandu surgiu da iniciativa do Movimento de Professores Guarani e Kaiowá. Muitos profissionais da área da Educação do Estado/MS, Universidades (UFMS, UCDB, UEMS, UFRR, UFMT), Secretarias Municipais de Educação do Estado, FUNAI, MEC e políticos locais, juntamente com os professores Guarani e Kaiowá, participaram da elaboração da proposta e dos entendimentos para a criação do curso.