Neste mês de março começou, para os acadêmicos do 5º semestre de Serviço Social da Unigran, o estágio curricular. Para alguns é um período normal para praticar o que estudaram em sala, mas para a estudante Eneir de Souza Soares é um momento muito especial, pois ela é deficiente visual, a primeira da história do curso.
Eneir não imaginava entrar na faculdade. Somente em 2009 ela prestou o vestibular. No começo foi uma experiência nova, pois além da deficiência, a acadêmica não mora em Dourados, então teria que vir todos os dias para a cidade. “Eu achava que não podia nada, mas já tem dois anos que estou fazendo a faculdade e a experiência está sendo muito gratificante”, comenta.
Agora com a parte prática começam os maiores desafios. Contudo, Eneir não desanimou. “Era o que eu mais esperava, porque eu acho que é na prática que eu vou saber se tenho condições de exercer a profissão”, diz ela.
A acadêmica atende grupos de idosos no Projeto Qualidade de Vida. Os recursos utilizados por Eneir são a descrição, a audição e o tato, para conhecer e interagir com cerca de 30 idosos. Nilse Ribeiro Franco, de 73 anos, foi atendida por Eneir e enaltece: “foi maravilhoso, porque quando se tem um problema físico é muito difícil participar ou fazer o que ela está fazendo, estudando e se integrando com a turma. Eu achei que ela se saiu muito bem”.
A estrutura do curso teve algumas adaptações para dar acessibilidade à acadêmica. Eneir ganhou uma ajudante, Taísa da Costa Matos, que cursa o 8º semestre de Serviço Social, para auxiliá-la nos atendimentos. “Tanto pra ela há dificuldade, como existe dificuldade pra gente também. Em relação aos idosos, eles foram bastante receptivos. A gente não sabia muito bem como tratar com a Eneir, como ela iria desenvolver algum projeto com eles, mas a gente está tentando desenvolver ações para incluí-la da melhor forma possível no meio deles”, explica.
Com a chegada de Eneir, o curso de Serviço Social da Unigran começou a desenvolver um material todo feito em Braile. “Para o curso é importante, porque é um desafio para todos nós lidarmos com expressões diferenciadas”, explica a coordenadora de estágio, Izabel Andrade de Souza Pereira.