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Antropóloga demonstra preocupação com realidade indígena da região

03 de maio 2012 - 15h12 Por Redação Douranews
Antropóloga demonstra preocupação com realidade indígena da região

A aula magna 2012 do PPGAnt (Programa de Pós-Graduação em Antropologia) da FCH (Faculdade de Ciências Humanas) da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), realizada segunda-feira (30) no auditório da Faculdade de Ciências Agrárias, em pleno ponto facultativo para servidores públicos, foi mais um evento de sucesso na instituição.

O evento contou com a presença da presidente da ABA (Associação Brasileira de Antropologia), professora Bela Feldman-Bianco, que também é docente da Unicamp (Universidade estadual de Campinas/SP) teve passagem destacada junto ao comitê da área de Antropologia/Arqueologia da Capes (Comissão de Acompanhamento de Pesquisa de Pessoal do Ensino Superior).

Na ocasião, a professora tratou do tema “Entre a ciência e a política: desafios para a antropologia”, cuja fala foi acompanhada atentamente pelas pessoas presentes, muitas das quais em seguida apresentaram questionamentos que foram respondidos de maneira objetiva pela pesquisadora.

Cerca de uma centena de pessoas, entre docentes e discentes da UFGD, UFMS (campi de Campo Grande e Naviraí), UEMS (unidades de Dourados e Amambai), UCDB (Campo Grande) e de outras instituições e regiões do Estado, participaram da aula magna.

Bela Feldman-Bianco falou do desenvolvimento da antropologia brasileira no cenário mundial e salientou um conjunto de tendências e desafios verificados para a disciplina no país. Frisou a reaproximação estratégica, oportuna e inovadora entre a antropologia sociocultural e a arqueologia no âmbito nacional, apontando o próprio PPGAnt/UFGD como um exemplo concreto desta situação. Ao analisar os desafios atuais da antropologia, indicou a produção de laudos antropológicos como um deles, destacando, inclusive, a experiência exitosa de antropólogos que atuam em Mato Grosso do Sul neste tipo de trabalho de relevância social.

De acordo com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFGD, professor Jorge Eremites de Oliveira, a convidada também falou sobre estudos voltados para as interfaces entre antropologia e direitos humanos, apontando a importância do trabalho de antropólogos para a garantia de direitos a povos e comunidades tradicionais. Dentre outros temas tratados na ocasião, abordou o papel da ABA neste contexto, da necessidade da regulamentação da profissão de antropólogo no país e do destaque cada vez maior da antropologia brasileira no cenário internacional.

Depois de proferir a aula magna do curso, a antropóloga visitou a Reserva Indígena de Dourados, passando pela aldeia Jaguapiru no final da tarde. No dia seguinte, 1º de maio, foi conhecer a fronteira com o Paraguai, demonstrando interesse por estudos a respeito de processos identitários e fluxos migratórios na região. Durante o trajeto à fronteira, tomou conhecimento da situação territorial vivida por comunidades indígenas na região, principalmente daquelas que reivindicam a identificação e delimitação de novas terras indígenas no Estado, manifestando preocupação com esta realidade.

Antes de retornar a São Paulo, a palestrante avaliou que a vinda a Dourados e região foi bastante profícua, especialmente para conhecer de perto um dos mais novos programas de pós-graduação em antropologia do país, cuja marca principal tem a ver com estudos relacionados aos povos indígenas. Avaliou ainda como positivo o fato de no Programa de Pós-Graduação em História da UFGD existir uma linha de pesquisa denominada História Indígena, na qual são produzidos estudos que marcam o diálogo entre a história, a antropologia e campos afins. Ao se despedir de colegas antropólogos da UFGD, colocou-se à disposição do PPGAnt e da UFGD para o desenvolvimento da antropologia no Estado.