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Palestrante defende popularização das religiões para combater preconceito

16 de maio 2012 - 11h39 Por Redação Douranews
Palestrante defende popularização das religiões para combater preconceito

A UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) encerra hoje (16) o “V Seminário Racismo e Antirracismo” com palestras que debatem principalmente o combate a discriminação nas escolas. A realização é do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros. Na abertura da programação, com o tema “Afrodescendentes e Discriminação”, o professor Sergio Paulo Adolfo, da UEL (Universidade Estadual de Londrina) alertou, segunda-feira (14) à noite, para a necessidade da promoção de trocas culturais em sala de aula, respeitando a cultura que o aluno traz de casa e oferecendo a cultura acadêmica, ao invés de apenas impor uma cultura como melhor que outra.

As trocas culturais são importantes já que o preconceito religioso está entre as dificuldades que os professores estão encontrando para obedecer a Lei 10.639, sobre ensino da "História e Cultura Afro-Brasileira". Por serem fieis de determinada religião, muitos não conseguem falar das demais sem preconceitos.

Essa limitação prejudica a abordagem sobre a cultura, constituída pelas manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo, inclusive a religião. “Não tem como falar da literatura, por exemplo, sem falar da religião”, afirmou Sergio Adolfo.

Para que os educadores se tornem mais isentos quando tratarem das religiões afro-brasileiras, o palestrante conceituou a religião como um dado cultural, não algo deixado por Deus, mas inventado pelos humanos, que por serem seres transcendentais, precisam de algo além do material, do cotidiano. Assim, “os pescadores criaram o Deus dos rios, enquanto os coletores criaram o Deus da floresta”.

Já a manifestação dessas religiões seria o comportamento do religioso para chegar a esse Deus, seja por mantras, atabaques, cantos ou palavras, de acordo com a cultura do grupo.

Raça e religião

Para Sergio Adolfo, a questão racial é difícil de ser desvinculada da questão religiosa. As duas caminham juntas na sedimentação do preconceito. “É preconceito pela cor e preconceito pela opção religiosa. Mesmo se o cidadão não for ‘preto macumbeiro’, for evangélico ou católico, ainda assim será discriminado”.

Nesse sentido, apresentar as religiões afro-brasileiras colaboraria para combater o preconceito, que é um juízo pré-concebido sobre algo desconhecido. Conhecer as religiões ajudaria a responder a base do preconceito, que é a ignorância.

Mais especificamente quanto aos motivos do preconceito frente às religiões afro-brasileiras, o palestrante listou também os seguintes: o fato de não serem religiões cristãs; de fazerem uso do sacrifício ritual; de serem praticadas pelas classes populares (maioria negros e pobres); de cultuarem Exu e Pomba-Gira em suas várias modalidades; de usarem o canto e a dança, práticas estranhas aos cristãos ocidentais; de desconhecerem os conceitos de culpa e pecado eterno; de não prometerem o céu (o homem deve ser feliz aqui e agora); de não discriminarem pessoas ou situações (gays, prostitutas e outros marginalizados são aceitos em sua condição); e de praticarem a magia e comunicação com os mortos.

Para introduzir o ensino dessas religiões em sala de aula, ele orienta o professor a não destacar justamente os aspectos que considera negativo, a tratar o tema com naturalidade (da mesma forma que faz com as religiões cristãs), a inserir, sempre que possível, a temática no conjunto das atividades disciplinares e a levar em conta a multiculturalidade do Brasil representado na sala de aula.