O pedagogo tem uma ampla função na educação básica, ele pode ser professor da educação infantil, professor do ensino fundamental, gestor da escola ou gestor municipal. Com a ampliação do ensino fundamental para nove anos esses campos de atuação também podem estar diretamente ligados à implantação da lei, tanto em termos de gestão para implementação, quanto em termos de trabalho pedagógico na sala de aula com a criança.
Esse debate foi ainda mais explorado durante a X Semana Pedagógica da Unigran, que discutiu formas de conciliar o papel do pedagogo com a formação da criança na infância.
Devido à mudança, inclusive conceitual, sobre esse tempo a mais em sala de aula de aula, quando as crianças acabam entrando mais cedo na escola, o que requer do educador uma preparação do tempo pedagógico, a mestre em Educação Clair Moron dos Santos Munhoz explica, por exemplo, que “a organização do tempo é necessária considerando a nova dimensão do ensino fundamental”. A ideia é se pensar no tempo de infância durante os nove anos, e o tempo pedagógico, como conciliar esse tempo de forma que atenda as necessidades de ser criança”, completa.
Ou seja, ao entrar no primeiro ano a criança ainda não está suficientemente preparada para encarar uma rotina de aprendizagem, é necessário que haja ludicidade. Para isso o professor precisa de uma rotina. “O professor deve considerar os instrumentos legais, a organização do espaço, o ambiente, o currículo e o planejamento desse trabalho pedagógico. Através da rotina se estabelece os conteúdos que precisam ser trabalhados, a frequência, e o aprofundamento”, acrescenta Munhoz.
A alteração do ensino fundamental veio para melhorar a situação educacional do país, como conta a Elisangela Alves Scaff, para quem “o Brasil é um dos países em que a criança fica menos tempo na escola. Para que o país se torne mais desenvolvido socialmente, já que economicamente ele está entre os mais, é preciso que a criança permaneça mais tempo na escola”.
Mas Scaff alerta: “se as escolas continuarem com essas práticas cristalizadas, se não mudarem as práticas, não adianta entrar com seis ou com quatro anos que as crianças não vão aprender do mesmo jeito”.