Uma resolução do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) tornou obrigatório que os formandos em medicina submetam-se à um exame de avaliação. A concessão do registro profissional, no entanto, não está condicionada à aprovação na prova. Assim, o resultado não impedirá o exercício da profissão mesmo que o recém-formado receba uma nota baixa ou seja reprovado. A obrigatoriedade é para a participação na prova. A medida passa a vigorar este ano.
Até agora, o teste só era aplicado a quem tinha interesse. De acordo com o conselho, a decisão de acabar com as provas opcionais foi tomada por causa do baixo nível dos formandos avaliados nos últimos sete anos devido a qualidade dos cursos de medicina oferecidos. Pelas regras do Cremesp, as notas serão confidenciais e entregues apenas ao avaliado e às escolas.
Segundo o presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior, o ideal seria negar o registro aos formandos com desempenho insatisfatório no exame para que voltassem aos bancos da universidade, porém a ausência de uma lei impede a adoção desse tipo de medida. Atualmente, continuou o presidente, está em tramitação no Senado o projeto de lei que prevê a criação de um exame nacional de proficiência em medicina, como pré-requisito para o exercício da profissão.
'Não podemos impedir porque não existe lei específica como na OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]. Temos amparo legal para que o aluno participe da prova, para que possamos ter uma avaliação mais real da péssima formação médica que estamos tendo no Brasil e no Estado de São Paulo', disse o dirigente.
No período de 2005 a 2011, quase a metade dos formandos que fizeram o exame foi reprovada. Dos 4.821 participantes, 2.250 (cerca de 46%) não conseguiram a nota mínima, que significa acertar 60% das 120 questões sobre nove áreas médicas, equivalente a 72 respostas corretas. Nos exames anteriores, a média de acertos em campos considerados essenciais da medicina foi 54,9% em clínica médica, 58,5% em obstetrícia, 58,8% em saúde pública e 60% em pediatria.
Azevedo justificou a necessidade do exame sob o argumento do crescimento do ensino de medicina, tendo alcançado 196 cursos em 2012. A cada ano, são abertas 16.876 vagas, das quais 58,7% em instituições privadas e 41,3% em universidades públicas, segundo o presidente. De 2000 a 2011, foram abertos 77 cursos, sendo 52 por entidades particulares. 'Os estudantes estão sendo abandonados nos hospitais de ensino, porque as escolas não têm nenhuma estrutura para ensinar'. Com informações da Agência Brasil