Acadêmicos da área de Saúde puderam aprender mais e discutir as novas tecnologias aplicadas na perícia oficial, especificamente nas atividades da criminalística, durante a IX Jornada de Biomedicina da Unigran, encerrada sexta-feira (24). No evento, Eduardo Carvalho de Almeida, perito oficial forense e criminalista do Instituto de Criminalística “Hercílio Macellaro”, da Secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública em Mato Grosso do Sul, abordou o tema “Genética médico legal: método de obtenção e análise de perfis genéticos em criminalística”.
Segundo o palestrante, o perito criminal tem uma formação na Academia de Polícia que dá uma visão geral acerca de vários assuntos e dentre as áreas do conhecimento está a Biomedicina, que tem suma importância na pericia. “O papel do biomédico, estando no laboratório, será de realizar exames de natureza sanguínea, na identificação de material biológico, ele poderá realizar outros procedimentos voltados para a bioquímica, ensaios bioquímicos, exame de identificação humana pelo DNA e por outras amostras biológicas”, afirma.
Eduardo explicou ainda que a perícia “procura dar materialidade a um lícito penal para poder fundamentar todo um corpo jurídico e pode colocar um criminoso na cadeia ou evitar que um inocente seja condenado”. Por isso, “a perícia criminal demanda de um contingente de responsabilidade muito grande, pois trata primeiramente de pessoas, mesmo aquelas que foram vítimas de morte, nós estamos tratando da coisa humana e daqueles que estão vivos com seus entes queridos, então ela é muito responsável, primeiramente pela vida humana e em segundo lugar porque trata da questão de se fazer justiça”, ressalta.
O especialista no assunto abordou também a análise comparativa do processo de obtenção do perfil genético em casos de crimes cometidos em Mato Grosso do Sul, as modalidades de técnicas de extração do material biológico para análise molecular. “Tem um caso emblemático que conseguimos dar resolução, o suicídio da ex-médica Neide Mota, em que nós utilizamos vários procedimentos para atestar que ela realmente cometeu suicídio, isso, através da cena do crime, pela presença de seringas, por ter usado o cinto de segurança como garrote, então toda uma situação que culminou com esta análise de suicídio. Dentre outros casos, até o próprio ‘maníaco’ do Parque das Nações Indígenas e o ‘caso motel’, tiveram nossa contribuição”, conta o perito criminalista.
Para Geovana Dilorenzo, acadêmica do 6º semestre de Biomedicina, esse tema foi um dos motivos para entrar na faculdade. “Essa é uma das várias atribuições do biomédico. Além de ser muito interessante, é uma ótima carreira a ser seguida, tem muito prestígio. Eu quero seguir esta área, sei que é muito difícil, tem que estudar muito, mas estou decidida”, conta.
Quanto ao evento, a estudante garante que “foi fundamental a presença deste palestrante para dar exemplos. Como que se aplica no dia a dia, como eu vou agir em um caso, fazer os procedimentos no laboratório. Estava faltando uma interação entre um profissional que mostrasse a experiência para nós sobre o que aprendemos na teoria”.
“Espero ter contribuído para a formação destes jovens, que ingressam nesta carreira brilhante da Biomedicina, que mesmo sendo muito nova no Brasil, já tem seu espaço na sociedade”, finalizou Eduardo Carvalho de Almeida.