“Estudar melhora a qualidade de vida, a cultura, e quando eu sair daqui sei que agora vou sofrer menos preconceito. Eu quero mostrar para os meus familiares, amigos e até inimigos que o caminho é a educação, não a criminalidade”. O depoimento é do reeducando do IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), Ronaldo Nepomuceno, de 40 anos. “Quando sair daqui, pretendo fazer uma faculdade de Direito, não quero parar de estudar”, revela o detento com o certificado de ensino médio em mãos.
Ronaldo é um exemplo do ensino ofertado em unidades penais de Mato Grosso do Sul. Referência nacional, a educação prisional em MS vem conquistando importantes progressos. Dados da Divisão de Educação da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) apontam que em 2012 foram alcançados números recordes com mais de dois mil alunos matriculados em escolas instaladas em 26 presídios do Estado. E neste ano, segundo a Escola Polo Regina Anffe Nunes Betine (responsável pelo ensino nos estabelecimentos prisionais), 124 reeducandos concluíram o ensino fundamental ou o médio, pelo sistema EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Para 2013, a SED (Secretaria estadual de Educação) e a Agepen preparam a abertura de turmas para oferecerem o ensino fundamental completo nas unidades fechadas de Cassilândia, Naviraí, Dois Irmãos do Buriti e Paranaíba. Para o Estabelecimento Penal Feminino de São Gabriel, a proposta é a implantação de uma nova sala “multiseriada”, contemplando do 5° ao 9° anos. Também deverão ser abertas extensões escolares no Estabelecimento Penal de Coxim e no semiaberto de Corumbá, onde ainda não há escola instalada.
Outra novidade é o oferecimento do Ensino Técnico profissionalizante de Graduação Superior no IPCG, por meio do Instituto Federal de Campo Grande. O curso será de “Técnico de Transações Imobiliárias”, com início previsto para fevereiro. Será um projeto piloto, que poderá posteriormente ser estendido a outras unidades.
“Formandos”
Se para a população em geral vencer as barreiras do aprendizado escolar e conquistar um certificado de conclusão de ensino fundamental ou médio é um importante avanço, para quem está em situação de prisão não é diferente. O interno André Vilela Leal vê na conquista uma oportunidade de recomeçar. Aos 46 anos de idade e preso no IPCG há dois anos, ele conseguiu concluir o nono ano. “Eu nunca faltei, vinha estudar mesmo com dor de dente, só tirei nove e dez. A escola abriu a minha cabeça, eu era meio ‘xucro’, ignorante, não sabia nem conversar, hoje sou um novo homem”, disse o reeducando, escolhido para ser o orador da turma.
Na Phac (Penitenciária Harry Amorim Costa), em Dourados, a solenidade de certificação dos internos será realizada segunda-feira (17). No presídio, serão certificados 26 alunos, sendo 16 do ensino fundamental e 12 do médio.