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Fetems denuncia perseguição política a professor indígena em Aquidauana

19 de abril 2013 - 13h16 Por Redação Douranews
Fetems denuncia perseguição política a professor indígena em Aquidauana

A direção da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) distribuiu nota, hoje (19), observando que “temos poucos motivos para comemorações” no dia do índio. A entidade relata o caso de um professor indígena, morador em Aquidauana, que mesmo com os maiores títulos obtidos na carreira, não consegue trabalhar no Município por ter feito opção política contrária ao atual prefeito nas eleições do ano passado.

Wanderley Dias Cardoso, índio Terena, da comunidade Bananal de Aquidauana, possui título de Doutorado em História pela PUC/RS (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul, mas não consegue aulas na unidade escolar da Rede Municipal de Ensino instalada na aldeia da cidade. Conforme a Fetems apurou junto a moradores da aldeia, o provável motivo seria político, já que o professor teria apoiado um político adversário do atual prefeito e foi candidato a vereador na chapa contrária, em outubro do ano passado.

“A Constituição brasileira deixa claro que vivemos em um país democrático e somos livres para termos a nossa opção política partidária e enquanto muitos professores que não possuem título algum estão dentro das salas de aula da aldeia Bananal, Wanderley Dias, doutor, está fora das escolas, pois fez a sua escolha política”, diz a nota da Federação dos Professores.

Wanderley Dias já teve o trabalho reconhecido em nível nacional pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e irá representar os índios brasileiros em um evento internacional da IEL (Internacional da Educação), que acontece no Peru, no próximo dia 15 de maio. Hoje, entretanto, está passando por sérias dificuldades já que está desempregado, vivendo apenas com o salário da companheira, que também é professora na aldeia, segundo a Fetems.

A entidade observa ainda, citando trechos de uma fala do líder indígena Marçal de Souza, assassinado na luta pela terra na década de 80, que “não queremos emancipação, nem integração. Queremos o nosso direito de viver. Jamais o branco compreenderá o índio. Queremos ser um povo livre como antigamente. O índio está cercado, amordaçado por uma democracia que não funciona”.