Foi em clima de nostalgia, regado a abraços apertados e saudosos, que professores e ex-professores da FCH (Faculdade de Ciências Humanas) comemoraram ontem (25), em Dourados, os 40 anos do curso de História, 30 anos do curso de Geografia e do CDR (Centro de Documentação Regional) durante o II Simpósio “A Humanidade nas Humanidades”. Em meio a dados documentais e episódios narrados por testemunhas oculares, os convidados relembraram parte da história da construção do município.
Na opinião do coordenador do curso de Geografia, André Geraldo Berezuk, o momento não era apropriado para se falar de leis de criação dos cursos, projetos pedagógicos ou quantos profissionais se formam por ano. Para ele, a comemoração foi um momento de deixar aflorar as emoções e relembrar histórias de amizades, dificuldades e vitórias. De fato, apesar de os professores mais jovens informarem dados técnicos para que o público presente pudesse conhecer a história dos cursos e do CDR, os professores das primeiras turmas, como Irene Nogueira Rasslan, conduziram a noite com histórias pessoais que se confundem com a história da própria UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), mesmo quando ainda era UEMT (Universidade Estadual do Mato Grosso) ou UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
À época da criação dos cursos, o momento político não era favorável. Em um cenário em que a democracia ainda não era praticada, os homenageados da noite, formados por calouros e ex-professores das primeiras turmas dos cursos, enfrentaram várias dificuldades para que as graduações fossem, de fato, implementadas. Como afirma o diretor da FCH, João Carlos de Souza, a história de crescimento da faculdade acompanha a própria trajetória do Brasil.
Para finalizar a noite, João Carlos enfatizou o quanto o protagonismo do antigo Departamento de Ciências Humanas (hoje FCH) enfrentou a ditadura e sempre esteve à frente nos movimentos sociais e de criação de sindicatos. Protagonismo, este, que hoje está no presente no interior da Universidade. O diretor da FCH citou o discurso do professor Damião Duque de Farias, reitor da UFGD, durante a abertura do Simpósio, ocasião em que o reitor afirmou que o momento de comemoração deveria ser também de reflexão. Damião ainda acredita que além de comemorar, a UFGD precisa assumir compromissos para atender o que a sociedade exige da Universidade.
Homenagens
Professores efetivos que lecionaram para as primeiras turmas dos cursos de História e Geografia, bem como o coordenador do CDR, receberam placas em homenagem aos serviços prestados a UFGD e à cidade de Dourados.Também fizeram parte das comemorações apresentações musicais do professor Fernando Além, conhecido artisticamente como Dagata, e do trio Canto A3, de Campo Grande. Com violões, violino e voz, o Canto A3 realiza apresentações voltadas à cultura sul-americana. Em 2013, o trio foi escolhido para representar Mato Grosso do Sul no Festival Nacional de Chamamé de Corrientes, na Argentina.