A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) instalou os trabalhos da comissão que estudará a possibilidade da Universidade oferecer curso de Medicina em Dourados. Segundo o reitor, Fábio Edir dos Santos Costa, a falta de médicos no Brasil e, particularmente, no interior de Mato Grosso do Sul, é uma demanda que precisa ser respondida urgentemente. “Nesse momento a UEMS assume o compromisso de estudar a viabilidade de abertura do curso, reconhecemos que é uma necessidade da população do Estado”, diz o reitor.
Para Magali da Silva Sanches Machado, médica e representante da Secretaria estadual de Saúde, a Universidade e o Governo têm um compromisso social em buscar alternativas para aumentar o quadro de médicos. “Nós temos apenas três cursos de Medicina em Mato Grosso do Sul [na UFGD, em Dourados e ainda na UFMS e na Uniderp, em Campo Grande], há estados menores que o nosso que têm até seis cursos”, comenta Magali, chamando a atenção ainda para os indicadores nacionais que mostram o MS com uma média de médicos por habitante menor que a média nacional. “Se estamos precisando importar médicos, por que não formarmos nossos próprios médicos?”, diz a representante da Secretaria de Saúde.
Segundo a professora Márcia Regina Alvarenga, que representa o curso de Enfermagem na Comissão, será preciso construir uma proposta de Projeto Pedagógico, caso a implantação do curso seja de fato efetivada. Márcia destacou que no último mês de abril, o Conselho Nacional de Educação do MEC aprovou novas diretrizes curriculares nacionais para a graduação em Medicina. “No caso de homologação das novas diretrizes, a proposta de projeto pedagógico do curso precisará ser adaptada às suas orientações”, explica a representante do curso de Enfermagem.
O reitor Fábio Edir enfatizou ainda que, se aberto, o curso de Medicina da UEMS terá compromisso com as demandas específicas de Mato Grosso do Sul, dentre as quais destacou a necessidade de atenção voltada à saúde indígena, à interiorização da atuação dos médicos formados pela instituição e à atenção básica de saúde no Estado.
Neste fim de semana, representantes da Comissão irão a Curitiba para um fórum nacional de metodologias ativas para cursos de Medicina, afim de já embasar a proposta do projeto pedagógico em construção. A próxima reunião está agendada para segunda-feira (12), desta vez, em Campo Grande, momento em que será definida a presidência da Comissão e os próximos encaminhamentos.
A Comissão
A Comissão, constituída por portaria publicada no Diário Oficial de 14 de abril, é composta por Cássia Barbosa Reis, Cibele Sales de Moura, Márcia Regina Alvarenga, Roberto Dias de Oliveira e Rogério Dia Renovato, Ednéia Albino Nunes Cerchiari e Léia Teixeira Lacerda Maciel (todos representantes da área da saúde na UEMS); Paulo Eduardo Cabral (representando a Secretaria de Estado de Educação); Magali da Silva Sanches Machado (representado a Secretaria de Estado de Saúde); e Vera Lúcia Kodjaoglanian (representando a Fiocruz). Além desses, participaram da reunião a vice-reitora Eleuza Ferreira Lima, a pró-reitora de Ensino, Silvane Freitas e a chefe do escritório de representação da UEMS, Eliza Cesco.
O prazo previsto na portaria de constituição da Comissão para conclusão dos trabalhos é de 60 dias. Os próprios integrantes, porém, reconhecem a possibilidade de prorrogar este prazo, especialmente diante da necessidade de estudo minucioso das novas orientações curriculares aprovadas pelo MEC.