Para evitar os transtornos de uma paralisação, que além de prejudicar pais e alunos causa desgastes para professores e gestores públicos, a Câmara de Dourados está buscando manter o entendimento entre a Prefeitura e o Simted (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Dourados), que vivem um impasse por conta de negociação salarial e plano de cargos e carreira.
Na manhã desta quinta-feira (16), o presidente Idenor Machado (DEM) e um grupo de vereadores recepcionaram dirigentes do Simted, que discorreram sobre o andamento das negociações e expuseram preocupação com o que tratam como falta de interesse e vontade política da administração municipal em encontrar um denominador comum que contemple ambas as partes.
Os educadores reivindicam, principalmente, a implantação do piso salarial nacional (R$ 1.697) para uma carga horária de 20 horas semanais e a inclusão dos administrativos no PCCR (Plano de cargos, carreiras e remuneração) da educação.
Na reunião com os vereadores, o presidente do Simted João Wanderley Azevedo lamentou que o acordo firmado em agosto passado entre a Prefeitura e o sindicato, com intermediação da Câmara, não prosperou. Segundo ele, a pauta está virando pesadelo, por conta de que “o município não avança nem na questão do piso, nem na inclusão do administrativo”.
Também lamentam a ausência do prefeito na negociação, já que consideram que a situação atual é preocupante e requer participação direta do gestor municipal. “Quando do fim da greve, a administração pediu trégua de 75 dias e durante este período não nos recebeu nenhuma vez. Só fomos chamados pela secretária de Educação no dia 9 de outubro, seis dias antes do fim do prazo pedido, e ainda assim não nos apresentaram uma proposta definida”, lamentou.
A vice-presidente Gleice Jane Barbosa expôs que diante de mais este impasse e “sem perspectiva de avanço”, embora entendam que “falta muito pouco para um acordo que contemple os anseios da categoria”, não haverá outro caminho senão uma nova paralisação. “Daí o motivo de pedirmos, mais uma vez, que os vereadores nos ajudem na intermediação, para que seja possível chegar a um denominador comum”, afirmou.
Idenor Machado reconheceu a legitimidade da luta dos professores, bem como a dificuldade de o município, e reafirmou que o legislativo será um canal permanente na busca do diálogo e do bom senso, para que seja possível uma solução que contemple as necessidades dos educadores e não extrapole as possibilidades do município.
“Defendemos o diálogo, sempre. Conversando é que as pessoas se entendem. Todos nós, agentes públicos e educadores, temos compromisso com a sociedade e devemos agir sempre com a razão. Penso também que o entendimento é possível e que não será preciso uma nova greve, o que seria prejudicial para todos”, disse o presidente da Câmara, assumindo o compromisso de articular novo encontro, com a participação dos secretários de Educação, Marinisa Mizoguchi, e de Fazenda, Walter Carneiro Junior, para buscar uma solução.
Além de Idenor, participaram da reunião os vereadores Sergio Nogueira (PSB), Raphael Matos (PTB), Maurício Lemes (PSB), Virginia Magrini (PP), Cido Medeiros (DEM), Alan Guedes (DEM) e Pedro Pepa (DEM). Acompanharam o presidente e a vice do Simted, as professoras Eliane Brufato e Jorcilei Lima.