A jovem indígena Dara Ramires Lemes (19), da aldeia Tey’kuê, em Caarapó, passou em primeiro lugar em dois vestibulares para medicina no início de janeiro. O primeiro resultado saiu na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) no Rio Grande do Sul, na qual concorria com 121 pessoas para duas vagas no curso, alcançando o tão desejado 1° lugar.
Na terça-feira (20) ela conheceu o resultado do vestibular da UFScar (Universidade Federal de São Carlos), no interior de São Paulo, onde Dara conseguiu fazer 32 pontos de 40 questões. “Estou muito feliz, pois estudei de 8 a 10 horas por dia, durante um ano, para conquistar isso. Minha ficha ainda não caiu, mas acredito que só vai cair quando eu estiver lá na universidade”, conta a jovem cheia de expectativas.
Dara estudou todo o ensino básico na escola estadual indígena Yvy Poty, localizada na aldeia Tey’kuê, que foi considerada a escola com a pior nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2014 com média 412,65. Porém, com o resultado da jovem, a escola perdeu este posto e ganhou destaque, pois apesar do ranking mostrar um resultado negativo, ela tem alunos considerados ‘nota 10’.
No Enem, Dara alcançou 760.0 em redação, mostrando que a escola tem professores capacitados. “Desde criança estudei na escola indígena, sempre fui esforçada e os professores nunca me negaram ajuda, sempre que tinha dúvidas eles me ajudavam, e hoje eu devo o resultado dos vestibulares a eles também, pois se não fosse a disponibilidade e paciência deles talvez eu não teria ficado em 1° lugar”, agradece.
Segundo a estudante, uma escola não se faz com professores, mas sim com alunos dispostos a aprender. “Quando eu estudava lá, até durante as aulas vagas eu procurava os professores para tirar algumas dúvidas. E acredito que a escola apareceu com essa nota no Enem por que muitos alunos foram em um dia fazer a prova e no outro não apareceram”, ressalta a estudante indígena.
Dara já decidiu que vai cursar medicina na Federal de São Carlos e diz que o maior objetivo é terminar o curso e voltar para Caarapó e ajudar na comunidade, pois, segundo ela, há a necessidade de médicos que falam a língua Guarani dentro da aldeia, conforme a reportagem do Caaraponews.
“Nós indígenas temos uma dificuldade muito grande de se comunicar com o branco e agora para complicar mais ainda nossa dificuldade veio para a aldeia dois médicos cubanos participantes do programa Mais Médicos do governo federal. Ai você pensa, se já é difícil nos comunicarmos com pessoas que falam o português, imagina com pessoas que falam uma língua mais diferente ainda”, explica.