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Trotes de Medicina tem casos de extorsão e abuso sexual

29 de março 2015 - 11h30 Por Redação Douranews
Trotes de Medicina tem casos de extorsão e abuso sexual

Disfarçadas de confraternização, muitas festas realizadas por grupos de universitários escondem torturas físicas e psicológicas sofridas por alunos ingressantes nos cursos de medicina da PUC e da Unicamp, em Campinas/SP. Extorsão, abuso sexual e boicote aos que se recusam a participar dos trotes são alguns dos relatos dos graduandos destas instituições.

Além de serem submetidos às humilhações, os calouros ainda seriam pressionados a pagar quantias em dinheiro que seriam usadas para custear as festas, normalmente realizadas em chácaras. O argumento apresentado por líderes dos veteranos é de que isso se trata de uma tradição.

"Falaram pra gente guardar uns R$ 10 mil, que era o que a gente ia gastar com o "open bar", com o aluguel da chácara e com a contratação de alguns serviços como o das prostitutas", conta uma estudante que preferiu não ser identificada. Além da chantagem, os que se recusavam a participar dos trotes na Unicamp seriam boicotados durante o processo de residência médica.

Extorsão

Em um dos casos apresentados na quarta reportagem da série especial sobre trotes da EPTV, afiliada da TV Globo, o valor exigido pelos veteranos de uma turma de ingressantes chegava a R$ 93 mil, aproximadamente R$ 1.500 por aluno, durante os seis anos de graduação.

Para o pesquisador do tema, Antônio Ribeiro Almeida Junior, os agressores agem como quadrilhas para a manutenção dos eventos. "Esses grupos tem uma longa história de se sentirem acima da lei. Eu acho que isso tudo merece uma investigação cuidadosa das autoridades públicas, das autoridades universitárias", diz, conforme a reportagem.