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Termo 'preto' é usado pela Fuvest para classificar cor de pele

03 de junho 2015 - 18h30 Por Do G1/Douranews
Termo 'preto' é usado pela Fuvest para classificar cor de pele

Em seis das dez carreiras mais concorridas da Fuvest 2015, nenhum candidato preto foi aprovado no vestibular e se tornou calouro da Universidade de São Paulo (USP) neste ano. O termo preto é uma das cinco opções de resposta para a pergunta "Qual é a sua cor ou raça?" feita para o calouro no momento da inscrição. Há ainda as opções branca, parda, indígena e amarela.

Em levantamento de dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Fuvest comparou o perfil dos calouros nos cursos mais concorridos.

Considerando todos os mais de 10 mil calouros que ingressaram na USP neste ano, o número de calouros que se autodeclaram pretos cresceu de 3,2% para 3,5%.

As dez carreiras mais procuradas na última edição da Fuvest foram medicina (São Paulo), medicina (Ribeirão Preto), psicologia, engenharia civil (São Carlos), artes cênicas, audiovisual, jornalismo, publicidade e propaganda, relações internacionais e arquitetura (São Carlos). Dessas, só há calouros pretos em 2015 nos cursos de medicina (São Paulo), engenharia civil (São Carlos), jornalismo e relações internacionais.

Esses dez cursos somam 794 vagas preenchidas no vestibular 2015. Os calouros pretos respondem por 12 delas, ou 1,5% do total. Já a porcentagem de calouros que se autodeclaram brancos varia entre 71,4% (no curso de audiovisual) e 84,4% (no curso de arquitetura de São Carlos). Os brancos respondem por 623 das 794 matrículas mais cobiçadas entre os candidatos da Fuvest (média de 78,5%).

Já considerando toda a USP, a média de calouros que se autodeclaram pretos é de 3,5%. A autodeclaração é feita no momento da inscrição, e os estudantes podem optar por branca, preta, parda, indígena ou amarela. Nas pesquisas sociológicas, o termo negro é usado para abordar as categorias preta e parda.

Pardos, amarelos e indígenas
Segundo os dados divulgados pela USP, entre as 794 matrículas nos dez cursos mais concorridos, 100 foram preenchidas por alunos que se dizem pardos, 59 por estudantes autodeclarados amarelos, e nenhuma matrícula foi feita por alunos autodeclarados indígenas.

Entre os candidatos autodeclarados indígenas, nenhum chegou a conquistar uma vaga nos dez cursos mais concorridos.

Engenharia na Poli e direito
As carreiras de engenharia na Escola Politécnica e direito na Faculdade São Francisco, que não estão entre os mais concorridos na lista de candidatos por vaga porque oferecem mais de 400 vagas por ano, mas são considerados de prestígio e costumam ter nota de corte alta, também ficam abaixo da média geral da USP considerando a presença de calouros pretos.

Entre os 872 calouros dos cursos de engenharia da Poli que responderam ao questionário, nove se autodeclararam pretos (1% do total), 650 (ou 74,5% do total) se dizem brancos, 79 são pardos (9,1%), 132 amarelos (12,1%) e dois são autodeclarados indígenas (0,2%).

Segundo a Fuvest, nesse grupo estão inclusos os alunos dos cursos de engenharia da USP Leste e do curso de engenharia de petróleo, que é ministrado em Santos.

Número de pretos cresceu
Na Fuvest 2015, a porcentagem de ingressantes na USP autodeclarados pretos é a mais alta dos últimos 12 anos. Na Fuvest 2003, 1,80% dos matriculados se autodeclararam pretos. No ano anterior, não é possível fazer a comparação só entre calouros da USP  porque a divulgação incluiu também as vagas oferecidas pela Fuvest no curso de medicina da Santa Casa.

Entre as últimas três edições da Fuvest, esse número tem crescido. Na Fuvest 2013, 2,4% dos calouros estavam nessa categoria. Na edição de 2014, a porcentagem subiu para 3,2%. Já neste ano, os estudantes pretos que começaram um curso de graduação na USP somam 3,5% do total.